Açores: Movimento Romeiros de São Miguel tem nova liderança

Após um ano com uma Comissão Administrativa, Nuno Furtado, o mestre das Furnas, é o novo responsável

Angra do heroísmo, Açores, 21 abr 2026 (Ecclesia) – A Diocese de Angra informa que o Movimento Romeiros de São Miguel (MRSM) realizou eleições para os Órgãos Sociais, com a participação de 42 ranchos, em 53, e Nuno Furtado, da Lista B que venceu com maioria, assume liderança.

“Com esta mudança, o Grupo Coordenador apresenta um novo rosto. A presidência será assumida pelo Irmão Mestre Nuno Furtado, ligado ao Rancho da Ribeira Quente/Furnas, conhecido como Mestre das Furnas”, explica o MRSM, em nota divulgada pelo portal online ‘Igreja Açores’, da Diocese de Angra.

A eleição de Nuno Furtado, o novo responsável pelo Grupo Coordenador do Movimento Romeiros de São Miguel, mestre do rancho das Furnas/Ribeira Quente, “marca uma nova etapa na organização, aliando a continuidade da tradição à renovação estratégica”.

As eleições para os Órgãos Sociais do MRSM, realizadas na sexta-feira, dia 17 de abril, contaram com a participação de 42 ranchos, de um total de 53.

O resultado confirma uma adesão expressiva ao Projeto ‘Tradição com Futuro’, com “uma vitória clara da Lista B”, com 27 votos, contra os 15 votos obtidos pela Lista A.

Há um ano que o Movimento Romeiros de São Miguel estava sem liderança eleita, sendo assegurada por uma Comissão Administrativa, após a demissão do romeiro João Carlos Leite, líder histórico, e da sua direção.

A Comissão Administrativa era presidida por Rui Carvalho e Melo, do rancho de Romeiros de Vila Franca do Campo, que foi eleito presidente da Assembleia Geral, funções que já desempenhava na anterior direção dos corpos sociais do MRSM.

Os órgãos sociais deste movimento açoriano ficam constituídos com Alexandre Gaudêncio no Conselho Fiscal, dos Romeiros da Ribeirinha, Ribeira Grande, informa o sítio online ‘Igreja Açores’.

As Romarias Quaresmais de São Miguel são uma tradição secular (desde o séc. XVI) e uma das mais importantes expressões de fé nos Açores, onde ranchos (grupos) de homens percorrem a ilha a pé durante a Quaresma, visitando igrejas e ermidas de Nossa Senhora em oração e penitência.

Os romeiros trajam com xaile, lenço, bordão e terço, contornam a ilha no sentido dos ponteiros do relógio (com o mar à esquerda), visitando cerca de 100 locais de culto ao longo de uma semana.

Nas Romarias Quaresmais 2026, os 53 ranchos percorreram a ilha açoriana de São Miguel, entre o dia 21 de fevereiro, e Quinta-feira Santa, 2 de abril.

Esta tradição surgiu como resposta religiosa a catástrofes naturais (sismos e erupções vulcânicas) no século XVI, buscando proteção divina. Decorre entre  o primeiro sábado da Quaresma e a Quinta-Feira Santa.

Para além da Ilha de São Miguel, existem também romarias em mais três ilhas do arquipélago português dos Açores – São Jorge, na Terceira e na Graciosa.

Em 2025, a manifestação ‘Romeiros de São Miguel’ foi inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, destacando a sua relevância como um dos maiores fenómenos religiosos de Portugal.

CB

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