
Seul, 04 ago 2026 (Ecclesia) – O Vaticano promoveu o primeiro colóquio formal entre as tradições cristã e confucionista para debater o contributo das crenças na construção de sociedades pacíficas e solidárias na Coreia do Sul.
A visão bíblica e a sabedoria oriental dão voz a uma “das aspirações mais profundas da humanidade”, sublinhou o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, o cardeal George Jacob c, em declarações ao portal ‘Vatican News’.
O encontro decorre até ao dia 5 de agosto na Universidade Católica Sogang, em Seul, e resulta de uma parceria com a Academia Confucionista Coreana Sungkyunkwan e com a conferência episcopal do país.
Os especialistas analisam a “contribuição do Cristianismo e do Confucionismo para uma sociedade ideal”, cruzando a imagem do Novo Céu católico com o conceito de Grande Unidade (Datong) da filosofia asiática.
A tradição confucionista propõe um horizonte comunitário sustentado “na relacionalidade, na responsabilidade e no bem comum”, reconhecendo a interligação das pessoas e a dependência da solidariedade recíproca.
O representante da Santa Sé recordou que o Livro do Apocalipse defende a renovação integral da criação na justiça para provar que a opressão e a violência “não terão a última palavra”.
Os fundamentos morais divergem nas duas perspetivas porque, para os crentes, a ação ética “não é simplesmente uma virtude social, mas a expressão visível da comunhão com Deus”, explicou o cardeal indiano.
A matriz asiática estabelece que a harmonia social não nasce da redenção divina, surgindo antes da “formação moral da pessoa, da orientação de governantes virtuosos” e do respeito pelos rituais e relações humanas.
O valor deste intercâmbio consiste “em preservar essas diferenças, permitindo, ao mesmo tempo, que cada tradição questione, enriqueça e amplie os horizontes da outra”, destacou o líder do organismo romano.
Os promotores do evento assumiram o compromisso de publicar a versão final das ‘Diretrizes para o Diálogo Cristão-Confucionista’, no encerramento dos trabalhos para consolidar o percurso de compreensão institucional mútua.
OC
