Maestro português seguiu para Roma com o compositor Luís Zagalo, que ofereceu a Francisco o seu disco «Encontro(s)»

Foto: EPA

Cidade do Vaticano, 19 jun 2019 (Ecclesia) – Dois músicos portugueses, o maestro António Victorino d’Almeida e o músico Luís Zagalo, presentearam hoje o Papa com os seus mais recentes trabalhos, no final da habitual audiência pública semanal.

António Vitorino d’Almeida ofereceu ao Papa a obra ‘Missa de Santo António’, composta especialmente para Francisco; Luís Zagalo deu ao Papa argentino o disco ‘Encontro(s), composto por dez canções originais dedicadas a Santa Teresa de Jesus.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, no final da audiência, o maestro António Vitorino d’Almeida sublinhou que se tratou de um encontro “há muito” desejado e, sobre o seu trabalho, realçou que teve como intenção expressar “a grande admiração que tem por Francisco”.

“Ele não é apenas o chefe de uma religião mas é um Papa da vida, de tudo o que tem a ver com a vida, que está hoje tão ameaçada na Terra. E foi isso que quis expressar também na dedicatória que lhe fiz”, confidenciou.

O Papa recebeu ainda das mãos de António Vitorino D’Almeida outra composição, a ‘Missa de São Francisco de Assis’, que “no fundo completa esta mais recente”, dado que “São Francisco e Santo António foram companheiros a vida inteira e lutando pelas mesmas causas”.

A expetativa do maestro português é que este projeto, dedicado ao Papa, escrito para orquestra sinfónica, coro e solistas, possa agora ser produzido, estreado e amplamente divulgado em Portugal e no mundo.

“Tanto a de Santo António como a de São Francisco, gostaria de fazer as duas num só concerto, dão bem para uma primeira parte e uma segunda parte”, apontou António Vitorino d’Almeida, que partilhou “o sonho de estrear estas duas Missas na Sé de Lisboa”.

Questionado sobre uma possível estreia no Vaticano, dedicada ao Papa, o maestro sorri: “Isso claro que sim, claro que gostava, mas vamos por partes, primeiro fazemos tudo até onde deve ser, depois veremos”.

Já o músico e professor Luís Zagalo destacou um “encontro único e verdadeiramente especial” com uma figura que revela “particular sensibilidade para a música”.

“É inspirador verificar que o Papa Francisco dispõe de uma disponibilidade em primeiro lugar interior, verdadeiramente notável, e que desarma que se dirige a ele”, partilhou.

O disco ‘Encontro(s)’ integra dez temas dedicados a Santa Teresa de Jesus, cinco escritos por Luís Zagalo, três pelo seu irmão, Pedro Zagalo, um feito em parceria entre os dois irmãos e outra da autoria de José Mateus.

As canções têm letras originais escritas por Luís Zagalo, pela Irmã Fátima Magalhães e por Milé Marinho.

Todas as faixas foram gravadas com o contributo de Silvie Ornelas (Voz), Luís Zagalo (Piano, violino, teclados e voz), Pedro Zagalo (Guitarra, piano e teclados), Herlander Medinas (Baixo e contrabaixo), Sérgio Costa (Bateria e Percussão), Ricardo Branco (Saxofone) e David González (Violino).

Nesta entrevista Luís Zagalo confidenciou um desejo especial: de incluir algumas das faixas deste albúm nos momentos musicias e festivos que farão parte do programa da próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude, que vai ter lugar em Portugal em 2022.

“Estamos a tentar trabalhar no sentido de poder integrar algum momento de atuação ao vivo aquando das jornadas. Temos a esperança que seja este Papa e que possa estar connosco a partilhar a sua mensagem e a sua presença sempre inspiradora”, adiantou o compositor alentejano, natural de Elvas.

Durante a audiência desta quarta-feira, no Vaticano, o Papa também deixou aos dois músicos portugueses uma oferta especial: uma cópia autografada do livro ‘O nome de Deus é misericórdia’, resultante de uma entrevista concedida por Francisco ao jornalista Andrea Tornielli, por ocasião do Jubileu da Misericórdia.

“Foi para nós também uma recordação com um significado muito especial, que pudémos trazer deste encontro”, disse Luís Zagalo.

Esta quinta-feira, o músico elvense, em conjunto com o maestro António Vitorino D’Almeida, atua na igreja de Santo António dos Portugueses, da capital romana.

“O que faremos amanhã será um apontamento simbólico, aberto ao público em geral, e num lugar que é especial e que nos ajuda a construir momentos felizes”, destacou Luís Zagalo

JCP

(Notícia atualizada no dia 24 junho)

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