Celebração com raízes medievais é vivida por milhares de pessoas nas ruas de Portugal

Cidade do Vaticano, 19 jun 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco pediu hoje no Vaticano que a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como Corpo de Deus, seja um momento de “reavivar” a fé na Eucaristia.

“A celebração da Santa Missa, a adoração eucarística e as procissões pelas ruas das cidades e das aldeias são o testemunho da nossa veneração e adesão a Cristo, que nos dá o seu corpo e o seu sangue, para alimentar-nos com o seu amor e fazer-nos participar da sua vida, na glória do Pai”, assinalou, no final da audiência pública semanal.

Francisco sustentou que a celebração, assinalada em Portugal esta quinta-feira, desafia os católicos a “dar um lugar central à Eucaristia” na sua vida”.

“É a Eucaristia que nos faz viver a vida de Cristo e faz a Igreja”, acrescentou.

O Corpo de Deus, feriado nacional em Portugal, é uma celebração com raízes medievais; desde o século XII, muitas localidades assinalam uma solenidade que evoca o “triunfo do amor de Cristo pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia”.

A solenidade litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade de Liège, na atual Bélgica, tendo sido alargada à Igreja latina pelo Papa Urbano IV através da bula “Transiturus”, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.

Na origem, a solenidade constituía uma resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, tendo-se afirmado também como o coroamento de um movimento de devoção ao Santíssimo Sacramento; teria chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de festa de Corpo de Deus.

Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60.° dia após a Páscoa, uma quinta-feira, ligando-se assim à Última Ceia, de Quinta-feira Santa.

Só durante a Idade Média se regista, no Ocidente, um culto dirigido mais deliberadamente à presença eucarística, dando maior relevo à adoração; no século XII é introduzido um novo rito na celebração da Missa: a elevação da hóstia consagrada, no momento da consagração.

No século XIII, a adoração da hóstia desenvolve-se fora da Missa e aumenta a afluência popular à procissão do Santíssimo Sacramento.

A procissão do Corpo e Sangue de Cristo é, neste contexto, a última da série, mas com o passar dos anos tornou-se a mais importante.

Do desejo primitivo de “ver a hóstia” passou-se para uma festa da realeza de Cristo, na “Christianitas” medieval, em que a presença do Senhor bendiz a cidade e os homens.

A “comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa” (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, tendo praticamente desaparecido a festa litúrgica do “Preciosíssimo Sangue”, a 1 de julho.

A procissão com o Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que “onde, a juízo do bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo” (cân 944, §1).

OC

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