D. Rui Valério indicou que «fazer Teologia é servir», no dia nacional desta faculdade da Universidade Católica

Lisboa, 01 mai 2026 (Ecclesia) – O magno chanceler da Universidade Católica Portuguesa (UCP) afirmou que a Teologia oferece “a possibilidade de uma perspetiva integral”, que é “algo singular”, e apelou a uma “renovação” na forma de “estar na sociedade”, esta quinta-feira, em Lisboa.
“A Teologia é chamada a salvaguardar o todo. Num mundo fragmentado, líquido, parcial, a Teologia tem a missão de oferecer síntese, unidade, sentido. E, no entanto, surge uma pergunta inquietante: se hoje se dá voz ao político, ao económico, ao mediático… por que razão a Teologia parece tantas vezes ausente”, disse D. Rui Valério na homilia da Missa presidida na igreja Nossa Senhora de Fátima, e enviada à Agência ECCLESIA.
A Faculdade de Teologia da UCP celebrou o seu dia nacional, esta quinta-feira, 30 de abril, e reuniu a comunidade educativa e alunos dos polos de Braga, Lisboa, Porto e do ensino à distância, na capital portuguesa.
O patriarca de Lisboa, que é o magno chanceler da UCP, para reflexão, perguntou ainda, “não como crítica”, se a Teologia, apesar dos seus progressos, “continua a ser percebida como um saber fechado, reservado a especialistas, distante da vida”, e apelou “a uma renovação da forma de estar da Teologia na sociedade”.
“Uma Teologia que não se torna linguagem para o mundo, uma Teologia que não ilumina a vida concreta, corre o risco de perder a sua missão.”
Segundo D. Rui Valério, a razão de estudar Teologia é porque esta “oferece algo singular”, a possibilidade de “uma perspetiva integral”, “não fragmentada, não parcial, não reduzida a um único olhar”.
“A Teologia é o lugar de síntese, onde a fé se pensa na sua catolicidade; nela convergem todos os aspetos do humano: a razão e a fé; a história e a revelação; a cultura e o mistério; o tempo e a eternidade”, assinalou.
Na homilia do Dia da Faculdade de Teologia, o magno chanceler da Universidade Católica Portuguesa, disse aos estudantes que a sua vocação “não é apenas conhecer mais”, mas é ver mais profundamente, isto é, “ver Cristo na história, no sofrimento, nas perguntas do mundo”.
“E depois, como Jesus, inclinar-vos. Não sobre livros apenas, mas sobre as feridas do mundo. Porque a Teologia que não se ajoelha… não compreende o Evangelho. São Paulo ensinou-nos a ler a história à luz de Cristo. Jesus ensinou-nos a viver essa leitura no serviço. Unamos ambas as coisas: uma inteligência que discerne, e um coração que serve”, desenvolveu, salientando que assim a Teologia deles “será verdadeira, eclesial, será fecunda”.
“E então, também hoje, o mundo poderá voltar a escutar a voz da Teologia – não como um discurso distante, mas como uma luz que ilumina e um amor que serve”, acrescentou, indicando que “fazer Teologia é servir”, na igreja Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa.
O Patriarca de Lisboa, a partir das leituras da celebração, explicou que a Palavra de Deus colocou-os diante de um duplo movimento: “São Paulo que interpreta a história”, e “Jesus que lava os pés”, e na é na “interpretação e serviço” que se encontra “o coração da Teologia”.
O programa do Dia Nacional da Faculdade de Teologia contou com uma conferência sobre ‘A influência do Direito Romano no Ocidente’, do professor Eduardo Vera-Cruz Pinto, entrega de prémios de mérito universitário, uma peça de teatro «Semente de Cristãos», e momentos culturais.
CB/OC
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