«Mais rápido, mais alto, mais forte – Juntos», com marca de «solidariedade», é o novo lema do Comité Olímpico Internacional, que vai desafiar atletas até 8 de agosto

Foto: EPA/Lusa

Lisboa, 23 jul 2021 (Ecclesia) – O Comité Olímpico Internacional (COI) aprovou a mudança do lema que marcam os Jogos, que hoje iniciam oficialmente, juntando ao desafio «Mais rápido, mais alto, mais forte», a palavra «juntos», numa marca de solidariedade que a organização quer imprimir.

“A solidariedade alimenta a nossa missão de tornar o mundo um lugar melhor através do desporto. Só podemos ir mais rápido, só podemos almejar mais alto, só podemos ser mais fortes, se permanecermos juntos – em solidariedade”, afirmou o antigo campeão olímpico alemão de esgrima e atual presidente do COI, Thomas Bach, sobre a mudança, aprovada por unanimidade no dia 20 de junho.

A Athletica Vaticana, o primeiro organismo desportivo do Vaticano, considerou esta mudança um “sinal de solidariedade” sugerido pela encíclica «Fratelli tutti», escrita pelo Papa Francisco e publicada em outubro de 2020.

“«Communiter», “cum munus”, que significa, dom recíproco, mostra que só com um estilo solidário – juntos – se poderá sair melhor da crise. Também através do desporto”, pode ler-se numa nota publicada na página do Facebook da instituição.

No dia 29 de maio, uma delegação da Athletica Vaticana foi recebida pelo Papa Francisco, que lhes manifestou a sintonia com os participantes olímpicos das “delegações menores e mais pobres”, e lembrou a equipa de refugiados, “os que lutam e sofrem na grande corrida da vida”.

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O lema original «Citius, Altius, Fortius», adotado em 1894 pelo Movimento Olímpico, a pedido de Pierre de Coubertin, fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna, queria manifestar excelência e incentivar os atletas a dar o seu melhor na competição e pediu emprestado o lema ao padre dominicano, Henri Didon, que ensinava desporto na periferia de Paris.

Inicialmente programados para 24 de julho a 9 de agosto de 2020, os 32º Jogos Olímpicos (JO) de Verão foram adiados para os dias 23 de julho até 8 de agosto, devido à pandemia, com a cerimónia de abertura marcada para esta sexta-feira, no Estádio Nacional de Tóquio, 12h00 de Lisboa.

A campanha criativa do COI, intitulada «Juntos mais Fortes», onde diversos atletas ilustram o seu trabalho rumo a Tóquio 2020, mostra como a unidade e a solidariedade continuou, mesmo quando o mundo esteve parado, e são um sinal de que o “mundo avança quando caminha junto, tal como os JO convidam, a unir as pessoas e as comunidades”, apresenta a página do COI.

Pierre de Coubertin acreditava que “que dar o melhor e procurar a excelência pessoal são metas que valem a pena” e que o desporto e a participação nos JO são a melhor expressão dessa determinação, numa “lição de vida ainda hoje válida, não apenas para os atletas, mas para todos”.

Devido à pandemia, e ao aumento do número de infeções provocadas pela Covid-19, a Arquidiocese de Tóquio decidiu cancelar o programa pastoral que tinha preparado, dirigido aos atletas.

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“Estava previsto que cada paróquia pudesse atender às necessidades espirituais de todos os atletas, mas agora decidimos cancelar essas iniciativas”, afirmou o arcebispo de Tóquio, Tarcisio Isao Kikuchi, numa nota divulgada pela imprensa.

No calendário, estava prevista uma missa internacional celebrada na catedral local e a criação de um rosário especial, que seria entregue a todos os participantes dos Jogos.

Com a área metropolitana de Tóquio colocada em estado de emergência pelo governo, os atletas não podem sair da Vila Olímpica, nem os padres têm acesso a ela; previamente já havia sido decidido que os JO não teriam público nas bancadas.

Até o momento, o Japão registrou 848 mil infeções e mais de 15 mil mortes provocadas pela Covid-19; entre os participantes nos JO, registam-se 119 infeções.

O arcebispo de Tóquio pediu, na nota, que os locais de culto respeitem as “medidas de saúde anti-Covid” e, dirigindo-se aos atletas, pediu para não visitarem as igrejas”, colaborando, assim, com as medidas preventivas de contágio.

“Implementámos medidas de segurança porque levamos a sério a responsabilidade de cada um de proteger não só a própria vida, mas também a vida dos outros, evitando a propagação do contágio. As celebrações litúrgicas continuarão a ser transmitidas online”, assegurou.

Os JO terminam a 8 de agosto, seguindo-se a 16ª edição das Paraolimpíadas de 24 de agosto a 5 de setembro de 2021, também adiada por um ano devido à emergência sanitária.

LS

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