Mensagem da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana para o Dia de Portugal 1. No próximo dia 10 de Junho – 427° aniversário da morte do ilustre poeta Luís Vaz de Camões – a nação ao seu mais alto nível, na pessoa do Presidente da Republica e nas Comunidades Portuguesas dispersas pelo mundo, vai celebrar com solenidade o Dia Nacional. A Igreja deseja associar-se à festa da gratidão do País para com as suas filhas e filhos, luso-descendentes e Comunidades a residir no estrangeiro: desde a União Europeia a outros espaços geográficos do mundo conhecido. A vós, caros emigrantes, quero agradecer, em nome de todos os bispos portugueses, tudo o que tendes feito com tanta ousadia em prol das vossas famílias, dos nossos compatriotas, do nosso país e do anúncio do Evangelho de Cristo. Tantas vezes sem os devidos apoios a que tendes direito, à luz da mais elementar cidadania. Bem hajam! 2. Olhando para o compromisso missionário da Igreja ao longo de quase cinco décadas, a partir das suas estruturas em Portugal e nas Igrejas de acolhimento, é actualmente unânime reconhecer-lhe um papel imprescindível em várias áreas das migrações: no apoio religioso e familiar, na criação de estruturas sociais de solidariedade, na promoção da língua e cultura portuguesas, na mediação junto das estruturas consulares e governamentais, no estímulo e consolidação do associativismo e da imprensa (rádio e jornais), entre outros. Temos estado ao vosso lado, fazendo-nos migrantes convosco, partilhando sucessos e insucessos, galgando fronteiras, exigindo dignidade e defesa dos direitos humanos. 3. A evolução económica e social de Portugal, dos países da Europa e do Mundo fazem do fenómeno migratório português uma realidade em grande mutação, ao nível dos espaços, lugares, fluxos e errâncias. Esta mutação requer uma nova percepção do fenómeno, pois a ausência de respostas orgânicas e adequadas tem feito persistir uma visão ainda muito administrativa das Comunidades Portuguesas e dos “novos emigrantes” deste Milénio. e ainda marginal, porque considerado um dossier secundário relativamente às grandes opções nacionais. O que fazer juntos, para que os emigrantes sejam considerados menos estrangeiros para o País que os viu nascer e vê partir? Portugal, afectado pela era de globalização, encontra-se diante de uma “evolução” da qual parece ter perdido o rumo, pelo modo como se concebem e vivem os valores: a vida, o trabalho, a família, a justiça, a educação, só para citar alguns. A emigração portuguesa também mudou. As pessoas que hoje emigram não o fazem pelas mesmas motivações como há cinquenta anos e os “projectos de vida” que levam no coração encerram outras prioridades, em parte devido à (des)educação para os valores em voga no solo pátrio. A própria Igreja – povo de Deus peregrino na história – encontra-se em fase de reflexão e adaptação das suas estruturas às novas exigências dos emigrantes e suas famílias e das Igrejas locais. Estas últimas estão hoje muito mais atentas à integração, à participação e ao diálogo intercultural. Temos consciência de que precisamos de trilhar novos caminhos de sensibilização, acompanhamento e diálogo entre as Igrejas, de cooperação eclesial, para uma efectiva participação cívica e religiosa dos nossos emigrantes nos países de acolhimento. 4. No próximo semestre o País, segundo a rotatividade que decorre da nossa pertença, vai assumir a Presidência do Conselho da União Europeia. Sem dúvida, um grande momento de visibilidade nacional, diálogo internacional e influência sobre as Instituições da União, a 50 anos dos Tratados de Roma. Tudo parece indicar que a “Estratégia de Lisboa” (herança da “nossa” anterior presidência da EU, em 2000) fará brotar da relação entre a Europa e África e da Imigração o naipe de temas com que pretende “marcar” o caminho actual duma Europa mais participada pelos cidadãos, mais coesa entre os parceiros e mais solidária entre os países do centro e da periferia. Assim, durante o próximo semestre, também a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana se encontra particularmente empenhada em eventos a nível nacional e internacional. Recordo aqueles para os quais apelo, desde já, a uma significativa mobilização das comunidades cristãs, das estruturas missionárias e meios de comunicação social da Igreja: o Encontro Nacional da Pastoral de Migrações (Julho, em Milfontes, Odemira), a 35ª Semana Nacional de Migrações e Peregrinação do Migrante e Refugiado a Fátima (Agosto), o Fórum da Caritas Europa sobre Migrações e Desenvolvimento (Setembro, na Costa de Caparica), a III Assembleia Ecuménica Europeia (Setembro, em Sibiu, Roménia) e a Campanha pela Ratificação da Convenção da ONU de Protecção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e suas Famílias (Dezembro). 5. Enfim, uma palavra de grande apreço e estima para os missionários – sacerdotes, religiosas e leigos – ao serviço das Comunidades Portuguesas no mundo, que, com a sua presença amiga e acção evangelizadora, tecem “pontes” de diálogo e constroem novas fraternidades, à luz da universalidade da fé e da utopia cristã: “uma só família humana”. Beja, 1 de Junho de 2007 † António Vitalino, bispo de Beja e presidente das Comissão Episcopal da Mobilidade Humana

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