Cardeal Pietro Parolin esteve reunido com o presidente e o primeiro vice-presidente, em Juba

Juba, 07 jul 2022 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano iniciou a sua visita ao Sudão do Sul, esta terça-feira, com apelos à paz, à reconciliação e ao desenvolvimento, durante encontros com o presidente e o primeiro vice-presidente, na capital Juba.

“A única luta a ser feita é a luta pela paz e pelo desenvolvimento. É uma batalha a ser travada por todos juntos. Paz e desenvolvimento são duas coisas ligadas: sem paz, não há desenvolvimento. E a ausência de paz é fonte de instabilidade e insatisfação”, disse o cardeal Pietro Parolin, no Palácio Presidencial, numa intervenção divulgada pelo portal ‘Vatican News’.

O retiro espiritual dirigido aos líderes civis e religiosos do Sul do Sudão, país independente desde julho de 2011 e em guerra civil desde 2013, nos dias 10 e 11 de abril de 2019, no Vaticano, foi recordado nestas reuniões.

O final desse encontro, onde também esteve o presidente Salva Kiir, e os então vice-presidentes designados Riek Machar e Rebecca Nyandeng De Mabio, ficou marcado pelo beijo do Papa Francisco nos pés dos líderes políticos.

“Voltamos de Roma e não combatemos mais. Eu disse ‘não’ a novas guerras: as pessoas podem não ter visto progressos, mas ouviram o silêncio das armas. Não queremos mais lutar, agora queremos a paz no país “, realçou o presidente do Sudão do Sul.

O cardeal Pietro Parolin referiu que o trabalho do Governo foi reconhecido e apreciado pelo Papa, mas insistiu no que falta fazer para garantir estabilidade no Sudão do Sul, nomeadamente o Acordo de Paz Revitalizado, que ainda não foi implementado e expira em fevereiro de 2023.

No próximo ano, o país vai ter eleições gerais e o responsável do Vaticano assinalou que “todas as forças políticas devem estar a serviço do progresso e do desenvolvimento do país”, lembrando a importância de promover a unidade nacional, estabilizar o país, introduzir a reforma da Constituição, “necessário para o desenvolvimento do Sudão do Sul”.

O portal ‘Vatican News’ salienta que o encontro se realizou num ambiente “cordial” e, várias vezes, Salva Kiir repetiu “bem-vindo a Juba” ao cardeal italiano e à sua delegação, desejando dias serenos de visita.

O secretário de Estado do Vaticano está desde sexta-feira em visita à República Democrática do Congo (RDC) e ao Sudão do Sul, para representar Francisco, que teve de adiar a sua deslocação por causa dos problemas no joelho.

Em videomensagem, o Papa prometeu visitar “o mais rápido possível” os dois países.

“Estou confiante na visita do Papa”, disse o presidente Salva Kiir, assegurando que o país está pronto para apoiar este importante evento e que todos os cristãos das diferentes denominações se uniram para rezar pela rápida recuperação do Papa.

Depois, o cardeal Pietro Parolin reuniu com o primeiro vice-presidente Riek Machar onde também recordaram o encontro na Santa Sé, em 2019.

“Estávamos a preparar para mostrar resultados concretos”, disse o responsável político, sobre a visita de Francisco, esperando que não falte a ajuda da Santa Sé para o Sudão do Sul.

Esta quarta-feira, o secretário de Estado do Vaticano visitou um acampamento de desalojados em Bentiu, no norte do país.

CB/OC

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