Francisco envia mensagem, após viagem adiada, evocando «sofrimentos» das populações

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 02 jul 2022 (Ecclesia) – O Papa enviou prometeu visitar “o mais rápido possível” a R. D. Congo e o Sudão do Sul, após ter adiado a viagem aos países africanos, que se teria iniciado hoje, numa mensagem em vídeo divulgada pelo Vaticano.

“Como sabeis, hoje deveria ter feito uma peregrinação de paz e reconciliação às vossas terras. O Senhor sabe como é grande o meu pesar por ter sido obrigado a adiar esta tão desejada e esperada visita. Mas não vamos perder a confiança e esperamos encontrar-nos o mais rápido possível, o mais rápido possível”, refere Francisco.

A intervenção evoca os “sofrimentos” destes países, que vivem crises sociais e políticas “há muito tempo”.

“Penso na República Democrática do Congo, na exploração, violência e insegurança que sofre, especialmente no leste do país, onde os confrontos armados continuam, causando inúmeros e dramáticos sofrimentos, agravados pela indiferença e conveniência de muitos”, precisou.

E penso no Sudão do Sul, no clamor pela paz do seu povo que, exausto pela violência e pela pobreza, espera atos concretos no processo de reconciliação nacional, para o qual desejo contribuir – não sozinho, mas caminhando ecumenicamente junto com dois queridos irmãos, o arcebispo da Cantuária e o moderador da Assembleia Geral da Igreja da Escócia”.

O Papa deixa palavras de proximidade e carinho aos “amigos congoleses e sul-sudaneses, com uma mensagem particular: “Não vos deixeis roubar a esperança”.

“Todos tendes uma grande missão, a começar pelos líderes políticos: virar a página para abrir novos caminhos, caminhos de reconciliação, caminhos de perdão, caminhos de convivência e desenvolvimento pacíficos”, apela.

A mensagem sublinha o grande número de jovens, nestes países africanos, indicando que as novas gerações “sonham e merecem ver esses sonhos realizados, ver dias de paz”.

“Para eles, em particular, é preciso depor as armas, vencer rancores, escrever novas páginas de fraternidade”, realça.

Foto: Vatican Media

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, iniciou esta sexta-feira uma viagem à República Democrática do Congo (RDC) e Sudão do Sul, para representar Francisco e “levar o afeto do Papa a essas populações”.

Este domingo, o Papa preside a uma Missa, no Vaticano, com representantes da comunidade congolesa que reside em Roma.

O padre Marcelo de Oliveira, missionário português na RDC, disse à Renascença que a comunidade internacional ignora as dificuldades da população, procurando apenas “beneficiar das riquezas do país”.

“Todos os dias há perseguições e massacres”, adverte o religioso comboniano.

O sacerdote português lamenta a contradição entre a riqueza de recursos naturais e a pobreza da população.

“O Congo tem ouro, diamantes, cobre, cobalto, um solo que poderia produzir duas vezes por ano, é difícil de compreender”, afirma.

A viagem de Francisco ao Sudão do Sul e ao Congo, agendada para 2 a 7 de julho, foi adiada para nova data a ser definida, por razões de saúde.

Um problema no joelho obrigou o Papa a deslocar-se em cadeira de rodas, durante algumas semanas; Francisco caminha agora com a ajuda de uma bengala e tem marcada, para final deste mês, uma visita apostólica ao Canadá.

OC

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