Sociedade: «Declaração de Roma», sobre a paz na era da inteligência artificial, foi assinada num «momento decisivo» da história da humanidade»

«Nenhuma máquina, nenhum algoritmo e nenhum sistema autónomo podem ser colocados no centro das decisões», destaca o cardeal D. Baldo Reina

Foto de Igor Omilaev na Unsplash

Cidade do Vaticano, 16 jul 2026 (Ecclesia) – Vencedores do Prémio Nobel, especialistas e antigos chefes de Estado assinaram a ‘Declaração de Roma’, sobre paz, armas nucleares e inteligência artificial (IA), esta quinta-feira, no Capitólio de Roma, após reunião no ‘Borgo Laudato si’, em Castel Gandolfo.

“A Declaração hoje apresentada recorda-nos com grande clareza que nenhuma máquina, nenhum algoritmo e nenhum sistema autónomo podem ser colocados no centro das decisões das quais depende a sobrevivência da humanidade; as decisões relativas à vida e à morte, à paz e à guerra, e ao futuro dos povos e das gerações futuras devem permanecer sob o controlo humano pleno, responsável e significativo”, disse o vigário geral do Papa para a Diocese de Roma, D. Baldo Reina, citado pelo portal online Vatican News.

Com seis pontos, as linhas orientadoras que compõem este documento são o desarmamento, o desenvolvimento responsável das novas tecnologias e o compromisso de promover “uma paz desarmada e desarmante”, informa o portal online Vatican News.

“A humanidade encontra-se num momento decisivo de sua história”, começa por assinalar a ‘Declaração de Roma por uma Paz Desarmada e Desarmante na Era da Inteligência Artificial, das Armas Nucleares e Autónomas, dos Novos Protocolos Digitais e dos Modelos Emergentes de Desenvolvimento Digital’.

A ‘Declaração de Roma’ foi assinada por vencedores do Prémio Nobel, especialistas e cientistas, líderes religiosos, ex-chefes de Estado e de governo, reunidos, esta quinta-feira, dia 16 de julho, no Capitólio, na capital italiana, após dois dias de reunião – ‘Assembleia Global dos Prémios Nobel sobre Inteligência Artificial e Guerra Nuclear’ -, no ‘Borgo Laudato si’ da Santa Sé, em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma.

“O progresso científico e tecnológico oferece oportunidades extraordinárias para a saúde, a educação, a saúde pública, a proteção ambiental, o combate à pobreza e a construção da paz. No entanto, esse mesmo progresso, se dissociado da ética, da responsabilidade e do respeito pela dignidade da pessoa humana, pode tornar-se um instrumento de dominação, exclusão e até de destruição”, desenvolveu o cardeal Baldo Reina.

Os subscritores da nova ‘Declaração de Roma’ destacam o “desafio sem precedentes” que interpela todos, porque a inteligência artificial oferece grandes oportunidades, mas, provavelmente, provocará “uma perda massiva de postos de trabalho e acentuará a competição económica entre as potências nucleares”, e pode provocar profundas assimetrias de poder concentrada em poucos países e grandes empresas.

“Desarmar a próxima corrida armamentista, tanto no campo da inteligência artificial, quanto no nuclear, antes que sejam elas a determinar a face do próximo século; em conformidade com o Direito Internacional e os Direitos Humanos”, é um dos apelos dos seis pontos.

Foto: Vatican Media

A declaração alerta que a crescente corrida armamentista nuclear caminha lado a lado com “uma corrida pela inteligência artificial igualmente perigosa”, e destacam o convite do Papa Leão XIV para promover “uma paz desarmada e desarmante”, e sugerem um tratado internacional que “proíba a integração irresponsável da inteligência artificial nos sistemas de comando, controle e lançamento de armas nucleares”.

Nos últimos pontos, os signatários deste documento referem-se à necessidade de “identificar novos caminhos institucionais” para uma governação global da inteligência artificial e favorecer, no futuro, “a implementação de iniciativas de governança global nesse campo”.

A ‘Declaração de Roma’ apoia iniciativas inspiradas na encíclica ‘Magnifica humanitas’ (Humanidade Magnífica), sobre “a proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial”, do Papa Leão XIV, sustenta o Painel Científico Internacional Independente das Nações Unidas sobre Inteligência Artificial, e os tratados sobre armas nucleares – TNP e TPNW -, informa o portal ‘Vatican News’.

CB

IA/Vaticano: Prémios Nobel, especialistas e antigos chefes de Estado trabalham em declaração sobre a paz na era da inteligência artificial

Igreja/Tecnologia: Santa Sé defende desenvolvimento da IA ao serviço do bem comum

 

 

 

Partilhar:
Scroll to Top