Cidade do Vaticano, 21 out 2019 (Ecclesia) – Os trabalhos da terceira e última semana do Sínodo especial para a Amazónia arrancaram hoje no Vaticano, com a apresentação do projeto de documento final da assembleia.

O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena e membro da Comissão de Redação do documento final do Sínodo especial, por nomeação do Papa, disse aos jornalistas que “o tema dos ministérios é um tema importante deste Sínodo, faz parte dos novos caminhos na Amazónia”.

Este responsável defendeu uma aposta numa “melhor distribuição do clero” para resolver a falta de padres na Amazónia, para que toda a Igreja Católica se sinta “corresponsável” pela região.

O arcebispo de Viena considerou ainda que o diaconado permanente, restaurado pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), é “muito significativo” para a vida da Igreja e poder ser uma ajuda para a pastoral “neste imenso território” pan-amazónico.

Atualmente, a Igreja Católica de rito latino admite homens casados apenas ao diaconado, primeiro grau do sacramento da Ordem (diaconado, sacerdócio, episcopado).

O relator-geral do Sínodo 2019, cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Rede Eclesial Pan-amazónica (Repam), apresentou o projeto do documento final, que vai ser discutido até sábado.

Na conferência de imprensa desta tarde, D. Domenico Pompili, bispo de Rieti (Itália), nomeado pelo Papa como membro do Sínodo, falou numa “terra ferida”, por causa de um “difícil problema, sempre por resolver, entre o homem e o ambiente”.

“A questão ecológica é a questão. Ponto”, sustentou.

Já o padre Dario Bossi, provincial dos Missionários Combonianos no Brasil, denunciou o envenenamento dos rios com mercúrio, por causa da extração mineira, e pediu uma reflexão “sobre o uso do ouro”, que implica um grande rasto de poluição.

“A consciência civil poderia limitar muito o impacto da extração do ouro, se limitasse o seu uso”, observou o religioso, para quem seria um sinal “muito forte”, se a Igreja evitasse o uso de ouro na sua Liturgia, por exemplo.

Marcivana Rodrigues Paiva, representante do grupo étnico sateré mawé (Brasil), falou aos jornalistas da “presença significativa” de povos indígenas a viver nas cidades e não apenas na floresta.

A falta de “visibilidade”, advertiu, leva à falta de direitos.

O final da conferência de imprensa ficou marcado pelo caso ocorrido esta manhã, quando três estatuetas de madeira, que representavam mulheres indígenas grávidas, foram roubadas da igreja de Santa Maria em Traspontina, a poucos metros do Vaticano – onde outros objetos da Amazónia são exibidos, por ocasião do Sínodo especial para a região – e atirados ao Tibre.

Os responsáveis da Santa Sé, presentes no encontro com os media, lamentaram o facto.

OC

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