Sínteses dos círculos linguísticos falam na possibilidade de homens «com família» serem admitidos ao ministério presbiteral e «mulheres ao diaconado»

Cidade do Vaticano, 18 out 2019 (Ecclesia) – Os grupos de trabalho de língua portuguesa no Sínodo dos Bispos para a região pan-amazónica afirmam que o caminho sinodal “abriu a perspectiva de uma eclesiologia diferente, mais batismal e colegial, diferente da Igreja clerical”.

Os membros dos grupos em português consideram que, pela “necessidade de uma Igreja permanente” na Amazónia,  “é necessário multiplicar” essa presença “com novos ministérios” e pedem ao Papa Francisco que “admita homens ao ministério presbiteral e mulheres ao diaconado, de preferência indígenas”.

“Mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os sacramentos que acompanham e sustentam a vida cristã da comunidade (IL 102,2). Desta forma, daremos rosto feminino e rosto materno à Igreja”, acrescentam.

Na síntese dos círculos linguísticos é pedido “um rito amazónico com património teológico, disciplinar e espiritual” que expresse ao mesmo tempo a universalidade e catolicidade da Igreja, na Amazónia, para um povo “religioso”, “a espiritualidade e sabedoria dos ancestrais e a mariologia trazem uma manifestação própria em sua vida de fé”.

O “protagonismo” da Igreja na Amazónia “não pode importar modelos” e precisa de “construir o rosto próprio com formação ampla e integral”, a partir da espiritualidade ecológica, Bíblica, comunitária e eclesial, em vista de uma conversão pastoral, sinodal, e conversão ecológica.

Neste contexto, os participantes propõem uma formação “planeada”, com equipas que incluam mulheres, e com o apoio da pastoral vocacional procurando “servidores da própria região”, isto é “autóctones, indígenas, ribeirinhos, quilombolas e outros”.

Os membros dos grupos de trabalho em português alertam para a “violência” na região pan-amazónica, um “flagelo” generalizado, com “o feminicídio em casa, a violência institucionalizada e omissão do Estado”, “nas prisões e escolas, abuso e exploração sexual” e violação dos direitos dos povos primitivos, “assassinato dos defensores dos territórios”, narcotráfico e tráfico de pessoas, “extermínio da população juvenil”.

É também proposto “um modelo de desenvolvimento alternativo” com qualidade de vida através de cursos de agroecologia, desenvolvimento de projetos sustentáveis, “desenvolver projetos de reflorestamento”, projetos alternativos aos megaprojetos, extrativismo sustentável, entre outros.

Na Amazónia gozamos de uma biodiversidade ecológica, intercultural, religiosa e espiritual. Sabemos que o diálogo é a ponte para a construção da paz e do ‘bem viver’”.

Os relatórios em português realçam também que a migração na cidade e o “refúgio de tantos irmãos e irmãs” solicitam uma pastoral urbana de acolhimento, “de proteção, de promoção e de integração no caminho da dignidade humana”.

Apontando a educação como caminho para uma sociedade capaz de “bem viver em sobriedade feliz”, surge a sugestão de criar escolas e universidade indígenas, “com linguística própria”, a tradução da Bíblia e catecismo, bem como “investir na educação a distância” e abrir espaços para escutar os jovens.

A utilização das redes sociais para comunicação – web rádio e tv – bem como outros meios de comunicação, como as rádios, para divulgar as conclusões da assembleia especial é outro pedido, com o incentivo à divulgação do que “acontece na Amazónia principalmente o que diz respeito ao que o projeto destrói a biodiversidade”.

A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou hoje os relatórios dos “círculos menores”, que foram apresentados durante a 13.ª reunião geral do Sínodo, esta sexta-feira.

CB/PR

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