Lisboa, 03 abr 2026 (Ecclesia) – A Igreja Católica assinala na Sexta-feira Santa a Paixão e morte de Jesus, promovendo um dia marcado pelo jejum, pelo silêncio e pelo rito da adoração da cruz.
A principal celebração ocorre durante a tarde, evocando a hora da crucificação, num ambiente de despojamento onde os sacerdotes e os ministros se prostram em sinal de reverência.
A parte inicial da celebração, a Liturgia da Palavra, tem um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa, a grande oração universal, com dez intenções que procuram abranger todas as necessidades e todas as realidades da humanidade, rezando pelos seus governantes, pela unidade entre os cristãos, pelos que não têm fé ou os judeus, entre outros.

O rito central engloba o beijo devocional da cruz e o pedido de perdão, apresentando-se os celebrantes com paramentos de cor vermelha, tonalidade litúrgica associada ao martírio.
O período noturno reserva espaço para as manifestações de piedade popular, destacando-se a realização de procissões do Enterro do Senhor e a recriação da Via-Sacra em várias localidades.
No Coliseu de Roma, a tradicional Via-Sacra tem início às 21h15 (menos uma em Lisboa), assumindo Leão XIV o transporte da cruz ao longo de todas as 14 estações.
As meditações deste ano foram redigidas pelo franciscano Francesco Patton, antigo custódio da Terra Santa e atual residente no Monte Nebo, na Jordânia, refletindo a dor das populações do Médio Oriente afetadas pelos conflitos.
O ciclo prossegue no Sábado Santo, um dia de expectativa assinalado pelo recolhimento espiritual e pela suspensão temporária da celebração da Eucaristia e outros sacramentos.
OC
| A Paixão de Cristo
Traído pelo seu discípulo Judas, Cristo é preso, sob a acusação de semear desordem pública por causa dos seus ensinamentos e, especialmente, de usurpar o título de Messias, “porque se fez Filho de Deus”, como dizem os responsáveis judaicos. Interrogado por Pôncio Pilatos, governador romano da região, açoitado por soldados, é condenado à morte na cruz, pena reservada a criminosos. Em Jerusalém, Jesus sobe a colina do Gólgota (literalmente “Monte do crânio”, também designado como Calvário) e cai várias vezes, por causa da exaustão. Crucificado, expira depois de algumas horas de suplício. É descido da cruz pelos seus parentes, envolto num pano branco (sudário) e colocado no túmulo. |
