«A teologia revela-nos a existência de Deus, no conhecimento que temos da humanidade» – Cardeal D. Américo Aguiar

Setúbal, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal alertou que voltar “à rotina das festas, sem qualquer inquietação ou sobressalto” quanto aos sofrimentos do mundo é porque “algo escapou” nesta Páscoa, na sua homilia da Vigília Pascal, na Sé sadina.
“Julgo que todos concordarão comigo, quando digo que as imagens da guerra que se vive na Ucrânia, na faixa de Gaza, no Médio Oriente, em África, nas nossas estradas – as autoridades GNR e PSP partilham que a operação Páscoa já ultrapassou a dezena de mortos -, são o sinal visível da tristeza, da desolação, das trevas”, disse D. Américo Aguiar, na noite de Sábado Santo, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
Na Sé de Setúbal, o bispo diocesano perguntou, “enquanto cristãos”, o que tinham para dizer sobre este presente que testemunham, se rezam pela paz, “diariamente, com fé e com esperança, certos de que Deus responde”.
“E as imagens que nos chegam bem mais perto, no conforto da paz em que vivemos, sobre as vidas dos migrantes, a violência nas escolas e em tantos lares? Diz-nos o Relatório Anual de Segurança Interna que tivemos em 2025, 578 violações, 11 por semana. Deve-nos chocar. Como reagimos? O que fazemos para trazer a paz à vida de quem vive ao nosso lado?”, acrescentou.
D. Américo Aguiar explicou que a teologia “não é apenas o que se ensina e aprende nos bancos das faculdades”, nem a que se revela “aos grandes doutores da lei”, mas revela “a existência de Deus, no conhecimento que da humanidade” que os cerca, no concreto das suas vidas, “na forma como lidam com a natureza, na capacidade de amar e ser amado, no desejo de cuidar do outro”, e a Grande Vigília Pascal “é um livro de teologia aberto”.
“Se não formos capazes de passar da teoria à prática, se não formos capazes de nos deixarmos moldar pelo Espírito, se amanhã voltarmos à rotina das festas, sem qualquer inquietação ou sobressalto face ao sofrimento do mundo, algo nos escapou nesta Páscoa”, disse o cardeal sadino.
O bispo de Setúbal pediu a quem participou na Vigília Pascal, na Sé sadina, que, ao regressarem a suas casas, “permaneçam inquietos” com as interrogações que escutaram, “porque só desta inquietação, virá a capacidade de conseguir ir mais longe”, na forma como enfrentam a vida, como estão “atentos ao próximo, no testemunho em casa, no trabalho, na rua, com os vizinhos, com quem pede uma esmola, com quem sofre”.
“Escolhemos livremente seguir Jesus; que esta liberdade seja motivo de maior júbilo, de maior compromisso, de maior vontade de evangelizar. E são tantos, mas tantos com sede de Deus. Ide e anunciai a todos os povos que o Filho de Deus venceu a morte, Ressuscitou, está Vivo!”
A Igreja Católica celebrou nas últimas horas de sábado e nas primeiras deste Domingo de Páscoa o principal e mais antigo momento do ano litúrgico, a Vigília Pascal, assinalando a ressurreição de Jesus, elemento central da fé cristã.
Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo, por fim, a liturgia Eucarística.
CB
Vigília Pascal: Noite mais importante do calendário católico celebra Ressurreição de Jesus



