Semana Santa: Voluntário português testemunha «ambiente particular» da comunidade ecuménica de Taizé

João Pedro Faria destaca também o ecumenismo, os «sinais vivos de comunhão entre Igrejas Cristãs»

Foto Agência ECCLESIA/Jornada da Pastoral do Turismo

Lisboa, 02 abr 2026 (Ecclesia) – João Pedro Faria, da Diocese de Santarém, foi voluntário durante um ano na Comunidade Ecuménica de Taizé (França) e recordou “o ambiente particular” e a “comunhão diferente” que viveu com os monges e outros jovens na Semana Santa.

“O ambiente é particular. Começamos no Domingo de Ramos, normalmente é dia de chegada, portanto, vamos a correr e tentar acompanhar imediatamente as dinâmicas, porque a base é a mesma que vivemos em Portugal, os católicos, com os componentes próprios de Taizé”, disse o jovem voluntário à Agência ECCLESIA.

No início do Tríduo Pascal, João Pedro Faria faz memória da sua vivência da Semana Santa na Comunidade Ecuménica monástica de Taizé, na Borgonha, onde há uma “união inicial quase sem muitas explicações”, porque sabem onde estão, e qual o propósito, “em retiro”.

“As condições físicas assim o permitem, e criam uma vivência, comparado com cá, mais prolongada no tempo, desde o Domingo Ramos, é mais contínua, é uma envolvência muito espiritual; a participação, em Taizé, nada é obrigatório, mesmo para quem estava de novo é um crescendo, começa a desligar do mundo, e ao longo da semana vamos crescendo nesta espiritualidade, que é particular na Semana Santa”, salientou.

Segundo o jovem escalabitano, “antes de iniciar mesmo a paixão” de Cristo, já estão “a caminhar com Jesus nesta última passagem”, e vão “caminhando, e sentindo que é um impulso”, um crescendo que espiritualmente acompanha também os passos.

João Pedro Faria, em 2024, viveu a Semana Santa e as celebrações da Páscoa numa comunidade ecuménica, com outras denominações cristãs, e lembra as “marcas muito próprias, muito físicas”, como a “bênção dos Ramos” ter sido feita por “dois pastores luteranos, um deles uma mulher, que na Igreja Católica não é possível”, e “não há essa questão de pensar esta pessoa é católica, ou não é católica”.

“Não se sente a diferença, exatamente, vivemos todos, estamos juntos naquela semana, cumprimos o programa, o programa adapta-se, mas de certa forma é um programa que estamos habituados, mesmo quem não foi, não é algo que vá completamente romper com o que conhece”, desenvolveu, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje, Quinta-feira Santa, na RTP2.

Para este voluntário de Taizé “há uma maior alegria”, mesmo na própria comunidade, quando se consegue “ter estes sinais vivos de comunhão entre Igrejas Cristãs”, por isso, sublinha que esta “alegria não é uma questão de programa, mas “espiritual, uma questão de alegria pessoal, e dos próprios irmãos e da comunidade de celebrar mais em comunhão”.

A Comunidade Taizé é formada por cerca de 80 irmãos de origens ecclesiais diferentes – católicos, anglicanos, protestante – de quase trinta países, e, ao longo deste ano, os encontros que acolhe, com “dezenas de milhares de jovens de toda a Europa e de outros continentes”, decorrem em torno do tema ‘O que procuras?’, pergunta que inspirou propostas do prior para 2026.

A comunidade foi fundada pelo Roger Schutz, de 25 anos, filho de um pastor protestante, deixou a Suíça para “ajudar pessoas em dificuldade em França”, em 1940, no início da Segunda Guerra Mundial, “acolheu refugiados que fugiam da guerra, nomeadamente judeus”.

O irmão Roger teve de voltar para a Suíça, no outono de 1942, “conheceu os primeiros irmãos e iniciou uma vida comunitária”, em Genebra, e regressaram a Taizé, no final de 1944; “o primeiro irmão católico junta-se à Comunidade”, em 1969.

LS/CB

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