Coimbra: Bispo salientou que «Igreja Povo de Deus» é o sujeito do anúncio «da Boa Nova aos pobres»

«A Igreja em todos os tempos e lugares, recebe de Deus a sua existência, a sua identidade e a sua missão» – D. Virgílio Antunes

Coimbra, 02 abr 2026 (Ecclsia) – O bispo de Coimbra salientou que a Igreja Povo de Deus, “comunidade ungida pelo Espírito Santo”, é “sujeito do anúncio da Boa Nova aos pobres”, mandato deixado por Jesus, na homilia da Missa Crismal, na Sé Nova.

“A Igreja em todos os tempos e lugares, recebe de Deus a sua existência, a sua identidade e a sua missão. Todos nós, os seus membros, a partir do batismo recebemos a unção do Espírito que nos confere a existência cristã, a identidade cristã e a participação na missão da Igreja”, disse D. Virgílio Antunes, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.

O bispo de Coimbra acrescentou que “enquanto Igreja Povo de Deus”, comunidade ungida pelo Espírito Santo, são agora “o sujeito do anúncio da Boa Nova aos pobres”, dando continuidade no tempo “ao ministério de Jesus” que lhes deixou esse mandato.

“Nesta manhã em que os sacerdotes renovam as promessas feitas no momento de graça da sua ordenação, recordamos que os mesmos sacerdotes, nascidos dentro do Povo de Deus, recebem a especial vocação da configuração com Cristo pela unção espiritual. Por esse motivo, os sacerdotes são os primeiros a ser chamados a identificar-se com Jesus, a oferecer a sua vida ao Pai e a anunciar a Boa Nova aos pobres”, indicou.

A partir do Evangelho proferido na celebração, D. Virgílio Antunes explicou que, segundo a teologia de Lucas, “Jesus está no centro do tempo”, é o centro do tempo – “para Ele confluem as profecias do passado, Ele realiza a salvação de Deus no presente e d’Ele nasce a história futura, que é a história da Igreja ou o tempo do Espírito” -, e essa perspetiva da obra de Lucas, o seu Evangelho e os Atos dos Apóstolos, convida-os a “evitar a dispersão mesmo no seio da Igreja e face à proposta de anúncio e de vivência da fé”.

“Havemos de centrar-nos em Jesus Cristo, o Filho de Deus, conduzido pelo Espírito Santo. É preciso dá-l’O a conhecer às multidões e a cada pessoa a partir das narrações e das palavras contidas na Sagrada Escritura, sobretudo a partir dos Evangelhos; é preciso apresentá-l’O como o centro do tempo e da história, porque sem Deus não é possível compreender plenamente o mundo e a humanidade; é preciso dar a conhecer o Seu amor por todos, a ponto de oferecer por nós a sua vida na cruz”, desenvolveu.

A Missa Crismal reúne os sacerdotes na Sé de cada diocese, com o seu bispo, onde renovam as promessas presbiterais, habitualmente, na manhã de Quinta-feira Santa.

D. Virgílio Antunes, aos sacerdotes, referiu ainda que recebem “como graça a unção do Espírito Santo” e a vocação de “incarnar o espírito de Jesus na totalidade da vida”, por isso, a sua configuração com “Cristo Cabeça da Igreja que é o seu Corpo”, faz deles homens espirituais “e tem de expressar-se na atitude de vida, no modo de ser e de estar”.

“Na profundidade das nossas opções, no ardor da nossa fé, na disponibilidade do nosso serviço, no nosso amor a Deus e aos irmãos”, explicou.

Nesta celebração foram também benzidos os óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e consagrado o óleo do Crisma, o bispo de Coimbra explicou que nestes óleos reconhecem “a graça de Deus para abraçar a fé, para curar os doentes e desanimados, a força do Espírito de Deus que une os cristãos a Cristo para sempre”.

CB

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