Leão XIV vai presidir a estas cerimónias pela primeira vez como Papa

Lisboa, 29 mar 2026 (Ecclesia) – A Igreja Católica inicia hoje, com a celebração dos Ramos, a Semana Santa, os momentos centrais do ano litúrgico que, nas igrejas e nas ruas, recordam a Paixão de Jesus.
A celebração dos últimos dias da vida de Cristo começa pela evocação da sua entrada messiânica em Jerusalém e a bênção dos ramos.
“A Liturgia convida-nos a reviver, na Semana Santa, os acontecimentos da Paixão do Senhor – a entrada em Jerusalém, a Última Ceia, o julgamento, a crucificação e o sepultamento – para compreender o seu sentido mais autêntico e abrir-nos ao dom da graça que eles encerram. Na verdade, é em Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e vivo em nós pela graça do Batismo, que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento, para a nossa salvação e plenitude de vida”, disse Leão XIV, que se prepara para presidir a estas celebrações, pela primeira vez, como Papa.
O Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice publicou o calendário de celebrações até à Páscoa, no dia 5 de abril, que inclui a cerimónia do lava-pés na Basílica de São João de Latrão, a Catedral de Roma.
A celebração vespertina de Quinta-feira Santa, a 2 de abril, vai ser presidida por Leão XVI a partir das 17h30 locais (menos uma em Lisboa); no pontificado anterior, Francisco presidiu várias vezes ao rito do lava-pés fora do Vaticano, tendo passado por prisões ou centros de migrantes.
Hoje, Domingo de Ramos, celebra-se na Praça de São Pedro a Missa que recorda a entrada de Jesus em Jerusalém e os momentos da sua Paixão, às 10h00 de Roma.
Já a 2 de abril, a Missa Crismal vai ser celebrada na Basílica de São Pedro pelas 09h30 locais; a mesma Basílica recebe a celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa, a partir das 17h00.
A tradicional Via-Sacra no Coliseu de Roma tem início marcado para as 21h15 de 3 de abril.
A Vigília Pascal é celebrada pelas 21h00 de 4 de abril, na Basílica de São Pedro; já o Domingo de Páscoa inclui a Missa às 10h15, na Praça de São Pedro, seguida da bênção ‘Urbi et Orbi’, na varanda da Basílica de São Pedro, ao meio-dia de Roma.
Já na Terra Santa, devido à guerra na região, patriarca latino de Jerusalém anunciou o cancelamento da procissão de Domingo de Ramos e o adiamento da Missa Crismal.
“Já é claro que não poderão realizar-se celebrações ordinárias abertas a todos”, escreveu o cardeal Pierbattista Pizzaballa.
No início da vida cristã encontra-se o domingo como única festa, com a única denominação de “Dia do Senhor”; por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um “grande domingo”, como celebração anual da Páscoa.
A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram a celebrar-se na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos.
Na Idade Média, esta semana era chamada a “semana dolorosa”, porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspetos do sofrimento e da paixão; muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações dos momentos da prisão, julgamento e crucifixão de Jesus Cristo.
Os momentos centrais da Semana Santa começam na quinta-feira, dia em que se celebram a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor.
A manhã é preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do bispo o clero da Diocese, na qual são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o santo óleo do crisma.
Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor: é comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés); no final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.
Na Sexta-feira Santa não se celebra a Missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz; o silêncio, o jejum e a oração marcam este dia.
O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor e a única celebração primitiva parece ter sido o jejum.
A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja, evocando a Ressurreição de Cristo.
Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo, por fim, a liturgia Eucarística.
OC
