«A vossa proximidade é um sinal precioso de esperança e fraternidade», escreveu frei Francesco lelpo

Roma, 21 fev 2026 (Ecclesia) – O custódio da Terra Santa lançou um apelo para apoiar a Coleta de Sexta-Feira Santa, no qual alertou para a grave situação no Médio Oriente, devido à guerra, e defendeu o regresso da peregrinação.
“Os últimos anos têm sido particularmente difíceis para as comunidades cristãs do Médio Oriente. A guerra trouxe morte, destruição e medo, não só a Gaza, mas também à Cisjordânia, a Israel, ao Líbano e à Síria”, escreveu o frei Francesco lelpo, citado por um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé enviado à Agência ECCLESIA.
O frade franciscano lembra que “ao sofrimento causado pelo conflito somou-se a longa ausência de peregrinos, que agravou uma crise económica e ocupacional já profunda” e que “muitas famílias cristãs, que viviam dos Lugares Santos e das atividades relacionadas com as peregrinações, encontram-se hoje em grande dificuldade”.
“Estes santuários são os santuários de toda a cristandade e aqui nós, frades da Custódia da Terra Santa, mas ousaria dizer toda a Igreja local, toda a Igreja desta terra, esperamos por vocês, aguardamos por vocês”, convidou.
A Custódia da Terra Santa trabalha há mais de 800 anos no Médio Oriente, em favor da tolerância e da paz, concretizando um sonho de São Francisco de Assis.
“Estamos realmente ansiosos por poder recebê-los de braços abertos, porque a peregrinação é realmente uma experiência que marca a vida, é a experiência do encontro autêntico”, assinalou o frade franciscano.
O comunicado enviado à Agência ECCLESIA recorda que a coleta de Sexta-feira Santa (3 de abril de 2026) surgiu como para ajudar concretamente as pessoas e a sua vida nos lugares santos, por vontade de um Papa, São Paulo VI, que na exortação apostólica ‘Nobis in Animo’, de março de 1974, a propôs ao episcopado, ao clero e aos fiéis de todo o mundo.
“Esta coleta representa o principal recurso para sustentar as atividades e a vida que se desenvolvem em torno dos Lugares Santos. As ofertas recolhidas pelas comunidades paroquiais e pelos bispos são transferidas, através dos frades franciscanos Comissários da Terra Santa, para a Custódia da Terra Santa”, pode ler-se.
O frei Francesco lelpo realça que “o jejum e a Coleta Pontifícia Pro Terra Santa tornam-se um gesto concreto de comunhão eclesial e de solidariedade com a Igreja Mãe de Jerusalém”.
“Através desta coleta, é possível apoiar escolas, paróquias, obras de caridade, projetos sociais e intervenções de emergência, mantendo viva a presença cristã nos lugares onde nasceu o cristianismo”, indicou.
Segundo o custódio da Terra Santa, “hoje, mais do que nunca, é urgente reconstruir, não apenas edifícios e infraestruturas, mas também relações, confiança e esperança” e que “este caminho passa necessariamente pela educação: pelas escolas, pelos jovens, pelas famílias, pelos lugares onde pode germinar uma cultura do encontro, do diálogo e da paz”.
“Apoiar a educação significa investir no futuro da Terra Santa e no papel das comunidades cristãs como fermento de reconciliação numa sociedade marcada por divisões e feridas profundas”, defendeu.
Com os contributos à Coleta da Sexta-Feira Santa são apoiados 630 alojamentos para famílias carentes; 15 escolas com 12.000 alunos; 1100 postos de trabalho; 270 missionários; 55 santuários; 6 casas de peregrinos; 5 casas para doentes e órfãos; 3 institutos académicos.
“Os territórios que beneficiam de diversas formas do apoio proveniente da Coleta são os seguintes: Jerusalém, Palestina, Israel, Jordânia, Chipre, Síria, Líbano, Egito, Etiópia, Eritreia, Turquia, Irão e Iraque”, informa o comunicado.
O frei Francesco lelpo pede que a Terra Santa não seja esquecida e que seja lembrada nas orações e “caridade concreta daqueles que continuam a viver e a testemunhar o Evangelho nos Lugares da Redenção”.
“A vossa proximidade é um sinal precioso de esperança e fraternidade: ajudem-nos a dar esperança e a semear a paz”, referiu.
LJ
