Frei Domenico Emilio Celebrin e frei Jorge Marques contam a história de Fernando de Bulhões que nasceu em Lisboa, tomou o hábito franciscano em Coimbra e faleceu em Pádua

Lisboa, 11 jun 2021 (Ecclesia) – Frei Domenico Emilio Celebrin, pároco de Santo António dos Olivais, em Coimbra, disse que a devoção a Santo António é feita pelas pessoas “simples e humildes”, que procuram o Santo “para chegar a Deus”.

“Indiretamente as pessoas sentem que Deus vive aqui, e é aqui que temos de jogar a nossa vida, temos que transformar o mundo e que afinal o que Jesus veio fazer é tornar este mundo melhor. António ajudou as pessoas a fazer isto, por isso as pessoas amam tanto o Santo António”, explica à Agência ECCLESIA o frade italiano, em Portugal há 16 anos.

Foto: Signinum

Em Coimbra, onde Santo António tomou o hábito franciscano e assumiu o seu novo nome, são muitos os peregrinos que procuram encontrar sinais e conhecer os locais por onde há cerca de 800 anos, Fernando de Bulhões se encantou com o percurso dos “mártires de Marrocos” e os quis seguir.

“Estou aqui há 16 anos e nos últimos tempos, antes da pandemia, tinham aumentado os peregrinos, vindos de todo o mundo: Portugal, Itália, Irlanda, Estados Unidos da América, Malta, estão em maioria. Alguns das Filipinas e indianos. Alguns cristãos, outros nem sequer são cristãos, que perguntam pelo quarto de Santo António, querem ver o quadro onde Santo António veste o hábito franciscano, e temos uma pequena relíquia e pedem para ser abençoados com a relíquia de santo António. São coisas simples, as pessoas precisam de sinais”, explica.

À entrada da igreja de Santo António dos Olivais, uma caixa «Cartas a Santo António», recebe as missivas escritas a pedir graças, orações ou a “tratar o santo por tu, como se fosse uma pessoa viva, tal como um santo que vive perto e intercede junto de Deus”.

“Peço-te, para além da saúde, que é das primeiras coisas que lhe pedem – pela minha avó, socorro na sua doença e sofrimento, afasta a sua dor, que se restabeleça e viva com a nossa família; peço-te Santo António pelos meus familiares, que vivem uma dificuldade de relacionamento, ajuda-os; Senhor e Santo António, peço-te pelo irmão que está doente oncológico, e amanhã vai fazer uma operação. São exemplos, as perguntas e pedidos de sempre, de pessoas simples, puros de coração e que confiam em Deus”, conta frei Domenico, recordando algumas das cartas recebidas.

Também em Pádua, no local onde a Basílica recebe os restos mortais de Santo António, são muitos os peregrinos que procuram aproximar-se das relíquias que ali permanecem, “a língua intacta e o queixo”.

“A devoção em Itália é a um santo menos casamenteiro mas é sempre a mesma: das pessoas simples, humildes”, conta.

Em 1980, quando foi feita aberta a urna com os restos mortais de Santo António, encontrou-se o aparelho fónico intacto, que Frei Domenico Celebrin reconhece ser um “pequeno sinal” de quem “tanto anunciou e foi apaixonado pelas obras de Deus”.

Foto: Museu de Lisboa

Em Lisboa, o dia 13 de junho é de festa e enchente na igreja de Santo António, onde o reitor, o frei Jorge Marques dá conta do crescimento e das dificuldades da fé, “próprias do crescimento de um jovem” do século XIII.

“Não teve um crescimento fácil, não o vamos fazer santo desde pequenino. Teve as suas crises. Gosto sobretudo de encontrar jovens e sublinhar esta fase da vida de santo António, porque o crescimento envolve algumas crises, que estão assinaladas como as cruzes gravadas na pedra nas escadarias da Sé catedral que levam ao coro – há duas ou três cruzes, cuja tradição indica que foram gravadas por Santo António para fugir das tentações”, indica à Agência ECCLESIA.

A pandemia não permite as enchentes habituais, mas o reitor da Igreja de Santo António explica estar tudo preparado para “cumprindo as normas sanitárias e as cautelas”, o dia possa ser celebrado com Eucaristia e acolhimento.

“O dia 13 de junho é um dia fantástico que reúne, reunia, em Lisboa milhares de pessoas. Hoje não pode ser assim. Vindas de Lisboa, arredores e muitas de longe, de faro, do norte, de propósito para as festas de Santo António. Ainda em tempo de pandemia, as celebrações e festas realizam-se dentro da igreja e de forma controlada para que as pessoas possam entrar, rezar, e sair por outra porta, fazendo um corredor para que, com as devidas cautelas e normas sanitárias, possamos viver este dia”, sublinha.

Uma marca na obra de Santo António é a atenção social dada aos pobres, que o reitor assume, não teve quebras em tempo de pandemia.

“São as ofertas de tantos amigos que chegam pela internet, multibanco, transferências bancárias. Não nos tem faltado, felizmente, depois deste tempo tão longo de pandemia, é um verdadeiro milagre que os devotos e amigos de Santo António não se esquecem do pão dos pobres de Santo António”, finaliza.

A devoção a Santo António, contada a duas vozes, em português e italiano, entre Lisboa e Coimbra, vai estar em destaque este domingo, no programa ECCLESIA, na Antena 1, às 06h00, e na RTP2, às 17h25, no programa ’70×7′.

PR/HM/LS

Foto: Igreja de Santo António de Lisboa

Santo António nasceu em Lisboa, em 1195, numa casa situada a poucos metros da catedral; entrou no mosteiro agostiniano de São Vicente, onde viveu durante dois anos antes de integrar a comunidade de Coimbra.

Em setembro de 1220, Fernando deixou os agostinianos para integrar a ordem dos franciscanos, onde assumiu o nome de António, pelo qual é hoje conhecido.

Na Itália, destacou-se como pregador e primeiro professor de Teologia da ordem franciscana recém nascida; faleceu em 1231 e foi sepultado em Pádua, tendo a sua fama de santidade levado o Papa Gregório IX a canonizá-lo, a 30 de maio de 1232.

Em 1946, Pio XII proclamou-o como “doutor da igreja universal”, com o título de ‘Doctor Evangelicus’ (Doutor Evangélico).

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