Antigo ministro da cultura participou na apresentação do livro «Um Atlas da Religião em Portugal»

Lisboa, 28 out 2026 (Ecclesia) – Pedro Adão e Silva afirmou hoje na apresentação do livro ‘Um Atlas da Religião em Portugal’ que a diversidade religiosa corresponde a uma “descatolização societal” do país, disse que a diversidade “é um sinal de riqueza”.
“A heterogeneidade é um sinal de riqueza, mas é também uma riqueza muito desafiante, riqueza social”, afirmou o antigo ministro da Cultura em declarações à Agência ECCLESIA.
O investigador universitário lembrou que a polarização nas sociedades, nomeadamente na portuguesa, é uma “consequência da diversidade”, que torna o país “mais rico”.
“Nós somos hoje um país muito mais diverso e plural do que éramos, portanto é natural que isso gere tensões, que não existem em sociedades que são muito mais homogéneas do ponto de vista da identidade. Agora, as sociedades mais homogéneas são também muito menos interessantes do ponto de vista do seu vigor cultural, no sentido lato da cultura”, afirmou.
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O estudo ‘Um Atlas da Religião em Portugal’, coordenado por Alfredo Teixeira e editado pela Universidade Católica Editora, foi hoje apresentado em Lisboa e revela que 80,2% da população residente se identifica como católica (7 043 016 pessoas), partindo dos dados dos Censos 2021. Os protestantes e evangélicos representam 2,13% da população (186 832 pessoas), seguidos pela categoria de outros cristãos com 1,04% (90 948), pelas Testemunhas de Jeová com 0,72% (63 609) e pelos ortodoxos com 0,69% (60 381). As tradições religiosas não cristãs totalizam 1,14% dos residentes, perto de 100 mil indivíduos, registando um aumento global de 91,2% entre 2011 e 2021. O grupo de cidadãos que declara não ter religião mais do que duplicou numa década, passando de 615 332 pessoas (6,8%) em 2011 para 1 237 130 (14,1%) em 2021. |
Na sessão de apresentação, que decorreu na Universidade Católcia Editora, Pedro Adão e Silva referiu a “há uma tendência já com algum lastro de descatolização societal do país”, que correspondia à afirmação de “português logo católico”, que “deixou de ser verdadeira”, onde a “percentagem de não católicos é já significativa”, perto de 20%.
“As diferenças no território dessa dinâmica também são muito interessantes porque nos mostram uma coisa que é: onde a sociedade portuguesa revela maior dinamismo e renovação social, etária, as zonas onde isso está a acontecer mais são zonas de recuo do catolicismo também”, afirmou.
O antigo ministro da cultura referiu também o desafio que se coloca à sociedade portuguesa no exercício da solidariedade: “as sociedades mais complexas são caracterizadas pela solidariedade orgânica, por contraponto às sociedades menos complexas, onde vigora e impera a solidariedade mecânica”.
“É um grande desafio para um país como o nosso, que se habituou a alguma homogeneidade social a partir das práticas religiosas, como é que consegue articular as solidariedades com a individualização e com a necessidade de termos um fenómeno de solidariedade muito mais orgânico, isto é, construído a partir da sociedade”, apontou.
Pedro Adão e Silva sublinhou que o estudo agora publicado constitui um desafio a “conviver com a heterogeneidade”.
Os dados analisados partir dos dados dos Censos 2021 no livro ‘Um Atlas da Religião em Portugal articula-se com a plataforma interativa ‘Quantos têm a minha religião?’, promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
PR
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