Documento estabelece as principais orientações para a ação pastoral diocesana até 2030, dando seguimento ao caminho iniciado no triénio anterior

Leiria, 28 out 2026 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima. D. José Ornelas, lançou uma carta pastoral intitulada “Igreja Sinodal, Ministerial e Missionária”, enviada hoje à Agência ECCLESIA, que servirá de referência à vida e à missão da Igreja diocesana nos próximos quatro anos.
“Na tradição da Diocese, os Projetos Pastorais assumem-se normalmente por um triénio. Este que agora se inicia é proposto para um quadriénio, a fim de que se possa desenvolver com maior intensidade o programa previsto e também para que o quarto ano tenha um tom celebrativo”, escreveu o responsável católico no documento apresentado no passado dia 4 de outubro.
A carta pastoral dá continuidade ao caminho iniciado no triénio anterior, com o projeto “Pelo Batismo somos Igreja viva e peregrina”, aprofundando agora a corresponsabilidade de todos os batizados na construção das comunidades cristãs e no anúncio do Evangelho.
“Da avaliação feita sobre o triénio agora completado, deduz-se que alguns dos objetivos foram alcançados, mas também que temos muita estrada a percorrer, na transformação pastoral da nossa Igreja diocesana”, indica o bispo.
O novo projeto pastoral terá uma duração de quatro anos, em vez dos habituais três, culminando em 2030, ano em que se assinalam duas efemérides particularmente significativas para a diocese: os 1600 anos da morte de Santo Agostinho e o centenário do reconhecimento canónico das Aparições de Fátima como “dignas de crédito”.
A carta é constituída por quatro capítulos, correspondentes aos capítulos 2 a 5 do Documento Final do XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos de 2023 – 2024, que contém as orientações sinodais da Igreja para a sua transformação.
O primeiro deles tem como título “Filhos e Irmãos pelo Batismo” e traduz a ideia de que todos os batizados são chamados a participar ativamente na vida e na missão da Igreja, colocando os seus dons e capacidades ao serviço da comunidade.
É necessário que cada pessoa batizada se interrogue sinceramente e abra o coração para discernir o que é que Deus lhe pede, como contributo para a edificação da comunidade e para o anúncio do Evangelho em todo o mundo”, defende D. José Ornelas.
O segundo capítulo aborda a “Igreja Sinodal nos dons, ministérios e serviços”, sendo um dos aspetos a valorização dos ministérios laicais, nomeadamente os de leitor, acólito e catequista, cuja instituição na diocese está em preparação.
O documento aponta ainda para o estudo de outros ministérios, destinados a responder a necessidades concretas das comunidades, como a “presidência de celebrações dominicais na ausência de presbítero” e o acompanhamento das famílias em situação de luto, incluindo a celebração das exéquias.
“Em ambos os casos, somos chamados a discernir, como Igreja diocesana, o melhor modo de celebrar os momentos significativos da nossa fé, nas condições em que vivemos, não como simplificação e banalização daquilo que é importante, mas como ocasião e desafio para renovar e exprimir a fé, a vida e a esperança que nos animam, não delegando simplesmente a responsabilidade sobre uma única pessoa, mas participando ativamente no sentido sinodal de ser Igreja”, assinalou o bispo.
A implementação das unidades pastorais constitui outro dos capítulos da carta pastoral, no qual se assinala que, depois da reorganização territorial e pastoral concretizada nos últimos anos, o desafio passa agora por consolidar o seu funcionamento, aprofundar a colaboração entre paróquias e desenvolver estruturas de participação efetiva.
“Como todos os começos, também este conheceu pontos positivos e outros menos claros. Se os princípios gerais eram compreensíveis, a sua concretização foi-se construindo mais lentamente e as questões não estão todas resolvidas. Algumas Unidades Pastorais estão a fazer um bom caminho e outras têm encontrado dificuldades em acertar o seu percurso”, apontou D. José Ornelas.
O último capítulo do documento é dedicado à “Igreja Ministerial em Missão”, com o bispo diocesano a desafiar as comunidades a ultrapassarem uma pastoral centrada apenas na manutenção das atividades habituais, procurando novas formas de presença junto da sociedade.
“Uma Igreja missionária não pode ser como uma estação fixa de serviços religiosos, com uma pastoral de conservação, resignada e virada para os fiéis que já estão dentro”, vincou.
“Temos de ter a coragem de sair para o largo, de procurar renovar o dom do Batismo naqueles que estão dentro e semeando a alegria do Evangelho, encetando novos caminhos para ir ao encontro da sociedade em constante mudança, identificando, nas novas carências, oportunidades e desafios e marcando presença nos novos areópagos sociais”, sublinhou o bispo.
Entre as prioridades identificadas encontram-se o acompanhamento dos jovens, o acolhimento dos imigrantes, a proximidade às pessoas em situação de pobreza, doença ou isolamento, a renovação da iniciação cristã e a valorização da informação e comunicação, incluindo a atenção aos desafios colocados pela inteligência artificial.
Os imigrantes que estão a chegar, em grande número, ao nosso território e que frequentemente encontram portas fechadas, muros erguidos e preconceitos difíceis de superar. É importante regularizar as entradas, para que não sejam explorados, mas sobretudo é fundamental acolher com justiça e coração, para construirmos juntos um país e um mundo melhores, com o contributo de todos”, escreveu.
Nas conclusões, o bispo lembra que nos dias de hoje, em toda a Igreja e no mundo inteiro, “há muita perplexidade, confusão e falta de esperança e, para muitos, falta de indicações para o caminho a percorrer”, e nesse sentido, exorta a não ter medo.
“Não deixemos que o cansaço e o desalento nos impeçam de reconhecer Jesus que se dá a conhecer ao preparar a refeição e sentar-se à mesa connosco, nas praias do nosso labor ou nas casas do nosso Emaús”, pediu.
LJ/OC
| A carta pastoral inclui um programa de ação organizado em quatro etapas anuais, com objetivos específicos para os níveis diocesano, vicarial e paroquial.
O primeiro ano, 2026-2027, terá como lema “Servir o Evangelho: Ide e anunciai”, privilegiando a formação, a pastoral do Batismo e o discernimento dos ministérios. Em 2027-2028, sob o tema “Servir o Senhor: Adorar em espírito e verdade”, a atenção incidirá especialmente na formação e organização dos ministérios e no aprofundamento da vida celebrativa. O terceiro ano, 2028-2029, será dedicado à temática “Servir os irmãos: Ele passou fazendo o bem”, valorizando a dimensão sociocaritativa, o voluntariado e a presença da Igreja junto dos mais frágeis. O quadriénio terminará em 2029-2030 com um ano jubilar, sob o lema “Eu estou sempre convosco”, marcado pelas comemorações relacionadas com Santo Agostinho e as Aparições de Fátima, bem como pela avaliação do caminho pastoral realizado. A carta pastoral estará disponível para venda, a partir da próxima semana, na Gráfica de Leiria, “constituindo um instrumento de consulta e trabalho para todos os que participam na vida pastoral da Diocese de Leiria-Fátima”, pode ler-se na informação enviada à Agência ECCLESIA. |
