População católica oscila entre 91,6% e 65,9%
Lisboa, 28 out 2026 (Ecclesia) – O estudo ‘Um Atlas da Religião em Portugal’, coordenado por Alfredo Teixeira no Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião (UCP), traça hoje um mapa assimétrico entre Norte, Sul e ilhas.
“A análise por regiões descobre um território nacional onde a população católica oscila entre 91,6% e 65,9%, tornando patente uma vincada heterogeneidade quanto à paisagem religiosa”, destacam os investigadores do CITER José Pereira Coutinho e Alfredo Teixeira, no segundo capítulo do volume.
Desenvolvida por académicos da Universidade Católica Portuguesa e do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a obra inédita mostra que as Regiões Autónomas dos Açores (91,6%) e da Madeira (90,9%), juntamente com o Norte (88,1%) e o Centro (85,1%), lideram a pertença católica e superam a média nacional de 80,2%.
Na terceira secção do livro, dedicada à escala sub-regional e assinada por Margarida Franca e Alfredo Teixeira, os autores explicam que “a preponderância católica é afetada, tendencialmente, no duplo movimento de norte para sul e do interior para o litoral”.
A sub-região do Tâmega e Sousa regista a maior proporção de católicos do país (94,4%), seguida pelo Alto Tâmega (93,7%) e pelo Douro (93,1%), onde se localiza Mesão Frio, o município mais católico de Portugal (97,0%) e com menor taxa de habitantes sem religião (2,2%).
Em sentido inverso, o Alentejo Litoral apresenta a menor percentagem sub-regional de fiéis católicos (62,1%), abaixo do Algarve (65,9%) e da Área Metropolitana de Lisboa (67,5%), enquanto Lagos (55,2%), Vila do Bispo (56,1%) e Sines (56,2%) ocupam a base da tabela municipal.
No quarto capítulo da investigação, centrado na cartografia concelhia, as sociólogas da Universidade do Porto Maria João Oliveira e Helena Vilaça identificam 44 municípios continentais onde a população católica aumentou em números absolutos entre 2011 e 2021, com particular expressão nos concelhos periféricos da Área Metropolitana de Lisboa, como Mafra (+8,5%), Palmela (+7,1%), Alcochete (+5,4%), Sesimbra (+5,3%) e Seixal (+3,3%).
O município de Braga protagoniza o terceiro maior crescimento absoluto de católicos no continente (+5,9%), fenómeno que Maria João Oliveira e Helena Vilaça associam ao dinamismo demográfico local e à forte presença de imigrantes brasileiros, que representam 65,9% dos residentes estrangeiros no concelho.
No plano da desfiliação religiosa, a população sem religião atinge os valores mais elevados no Alentejo Litoral (27,7%), na Área Metropolitana de Lisboa (23,1%), no Baixo Alentejo (22,0%) e no Algarve (21,7%), tendo o município de Sines no topo nacional (35,5%), seguido de Vila do Bispo (33,7%) e Grândola (31,7%).
A Área Metropolitana de Lisboa configura aquilo que a equipa do CITER-UCP e da Universidade do Porto descreve como um “laboratório da diversidade religiosa em Portugal”, concentrando 56,1% da população não cristã do país (cerca de 56 mil pessoas), além de 7,0% de residentes ligados a outras igrejas cristãs.
O Algarve lidera a implantação relativa de outras confissões cristãs (10,3%), impulsionada pelos municípios de Lagos (14,3%), onde os protestantes e evangélicos chegam a 6,9%, e de Albufeira (13,2%), concelho com a maior proporção nacional de cristãos ortodoxos (5,3%).
No Alentejo Litoral, as migrações associadas à agricultura intensiva colocam Odemira como o concelho com maior peso de religiões não cristãs em Portugal (16,5%), após um crescimento de 1947,2% numa década que elevou este grupo de 195 para quase quatro mil residentes, reunindo 7,0% de hindus, 3,2% de budistas e 3,2% de muçulmanos.
Publicada pela Universidade Católica Editora, a obra correlaciona pela primeira vez os dados dos Censos, entre 1900 e 2021, com variáveis de envelhecimento, escolaridade, poder de compra e mobilidade humana à escala regional, sub-regional e municipal.
A apresentação pública decorre hoje, às 18h30, na livraria da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, em articulação com a plataforma interativa ‘Quantos têm a minha religião?’, promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
OC
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