Comunidades católicas celebram este domingo o 105.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Lisboa, 25 set 2019 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) afirmou que as comunidades cristãs têm a obrigação de mostrar que é “possível viver o acolhimento, a proteção, a integração e a promoção”, com os refugiados e migrantes.

“O primeiro apelo é às comunidades. Temos um mandato evangélico que fala do acolhimento, que nos fala da proteção, que nos diz que em todas as nações há discípulos de Cristo, por ai começa o primeiro mandato”, referiu Eugénia Quaresma à Agência ECCLESIA, a respeito da próxima celebração do Dia Mundial do Migrante e Refugiado, que a Igreja Católica assinala este domingo.

A diretora da OCPM afirma que “ao cuidar” dos migrantes e refugiados cada pessoa também cuida de si, dos seus “medos, saber o que assusta” e superar “estes medos promovendo o encontro e acolhimento”.

A entrevistada destaca o “apelo muito incisivo” para o modo como a “sociedade vive a humanidade” e a “tónica está sobre a exploração humana”, o tráfico de seres humanos e “a responsabilidade de cada um, não só do cidadão, do consumidor, mas também das empresas, de todos”.

O Papa Francisco escolheu o tema ‘Não se trata apenas de migrantes’, e o subtema ‘trata-se também dos nossos medos’, para o 105.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado.

“O tema é muito bonito, até pela forma pedagógica com que nos foi sendo apresentado, parte da mensagem bíblica, depois há uma mensagem do magistério e depois exemplos práticos, como é que a palavra pode ser posta em prática no dia-a-dia”, desenvolve Eugénia Quaresma.

A diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações realça que o movimento migratório já “é a denúncia que alguma coisa não está bem”, mas depois “pode ser positivo”, uma “oportunidade de crescimento”.

“Há vários motivos e cabe a nós perceber quem é que temos ao lado e por que razões, e vamos perceber olhando, escutando e compreendendo as razões. Olhando para os migrantes e refugiados como irmãos e irmãs, como pessoas que nos podem ajudar a construir uma sociedade melhor as coisas mudam”, prosseguiu.

Neste contexto, recorda às comunidades cristãs a necessidade de abertura “a quem chega de novo”, o que permite “não ficar tão presos à estrutura”, com a ajuda de “rostos novos, experiências novas de viver a fé”.

Eugénia Quaresma salienta que os migrantes e refugiados “não são um extra à calendarização pastoral”, porque têm um “potencial evangelizador” que “tem de ser cada vez mais valorizado e posto ao serviço das comunidades”.

A diretora da OCPM observa também que em Portugal as notícias sobre este tema mostram “boas políticas, escritas no papel”, mas o problema está na “prática, na morosidade dos serviços” que “vão criando dificuldades acrescidas aos cidadãos de outras terras”.

O Papa Francisco vai presidir à Eucaristia do DMMR, este domingo, na Praça São Pedro e convidou à participação na celebração, na Praça de São Pedro, “para expressar proximidade com migrantes e refugiados de todo o mundo através da oração”.

A Secção para os Migrantes e Refugiados da Santa Sé preparou diversos materiais para a celebração deste Dia Mundial e convidou os fiéis a partilharem a sua vivência/celebração, através do endereço media@migrants-refugees.va.

HM/CB/OC

 

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