«Um dos grandes problemas que as tecnologias trazem é serem assentimentais, muito polidas, não trazem aquele caráter que Jesus tanto nos ensina do contacto», assinala párocoa çoriano

Povoação, Açores, 22 mai 2020 (Ecclesia) – O padre André de Resendes afirma que a “atitude” da Igreja nas redes sociais “deve ser diferenciada”, meio onde com a sua Paróquia dos Remédios, na Diocese de Angra, já tinha uma presença que se intensificou com o isolamento social.

“Uma linguagem construtiva, positiva, e diferenciada sobretudo pela verdade do conteúdo que traz para que não haja fake news”, disse o pároco dos Remédios – Lomba do Loução e de Nossa Senhora da Penha de França, Agua Retorta (Povoação, Ilha de São Miguel, Açores).

Em declarações à Agência ECCLESIA, no contexto do Dia Mundial das Comunicações Sociais 2020  que se celebra este doming, o padre André de Resendes observa que nas redes sociais “há muitas fontes que debitam informação que nem sempre é credível e viável”, por isso, quer as redes socias, quer a comunicação digital, “exige, de quem chega lá e de quem lê, um certo peneirar da informação” para que as coisas possam chegar com nexo.

Para o pároco dos Remédios, a atual situação da pandemia de Covid19 “impulsionou” o uso das redes sociais e “foi a melhor forma para marcar presença” mas “não é presencial” e no futuro “será sempre para complementar aquilo que eventualmente não consigam fazer nas paróquias”.

Um dos grandes problemas que as tecnologias nos trazem é serem assentimentais, é serem muito polidas, não trazem aquele caráter que Jesus tanto nos ensina do contacto, do entrosamento humano. Mas é uma bela modalidade de colmatar muitas vezes a incapacidade, a impossibilidade de agenda e disponibilizar conteúdos”.

Segundo o sacerdote “impulsionou uma parte do trabalho”, nomeadamente no que se refere a uma “Nova Evangelização” que é uma “completamente exigente do ponto de vista que quer manter unidos” mas, ao mesmo tempo, na distância que todos devem “ter obrigatoriamente e obedecer”.

“A única maneira que tivemos foi lançar a rede do Evangelho nas redes digitais e chegar ao maior número possível de pessoas, de irmãos, simpatizantes nestas comunidades onde estou e outras que pelas redes sociais se apanham”, destacou o entrevistado.

O padre André de Resendes sublinha que “a linguagem da Igreja deve ser construtiva” que é o que estão a fazer no projeto online ‘Grão de Mostarda’ que desenvolvem desde que começou o confinamento e isolamento social imposto pela pandemia Covid-19, onde têm “vários prismas, mesmo muito diferenciados, para se conjugue uma verdade só”.

“O que são os quatro Evangelhos? Quatro leituras diferentes sobre o mesmo acontecimento que é Jesus Cristo”, salientou.

O pároco dos Remédios explica que o ‘Grão de Mostarda’ tem uma equipa “muito interdisciplinar”, “tudo pessoas católicas mas que de uma forma mais deslocada também permite purificar outros aspetos”, que nasceu e foi “impulsionada ao longo da pandemia” e querem continuar a servir, por agora no Facebook mas no futuro “terá o canal no Youtube e estará presente no Instagram”.

Ao longo da semana, o ‘Grão de Mostarda’ propõe a oração do Terço e a celebração da Eucaristia para além de tertúlias, debates e reflexões com sacerdotes, psicólogos, terapeutas, e convidados como políticos, de membros do Governo Regional dos Açores a presidentes de Juntas de Freguesia.

A Igreja Católica assinala este domingo (24 de maio) o 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que é o tema do pograma ‘70×7’, transmitido a partir das 17h55, na RTP 2; o Papa Francisco escreveu a mensagem “‘Para que possas contar e fixar na memória’ (Ex 10, 2). A vida faz-se história” para a comemoração anual que se celebra no domingo anterior ao Pentecostes.

HM/CB/OC

Partilhar:
Share