Adaptação e desafios que os media enfrentaram em tempo de pandemia em debate na preparação para o Dia Mundial das Comunicações Sociais

Lisboa, 22 mai 2020 (Ecclesia) – O desafio do confinamento, devido à pandemia do Covid-19, trouxe desafios à Comunicação Social, que teve de adaptar-se, sendo “farol em noite de tempestade”, afirmou o diretor do Mensageiro de Bragança, António Rodrigues, à Agência ECCLESIA.  

“Sentimos que as pessoas, sobretudo no início, como a pandemia era uma novidade assustadora, estavam com receio e sede de informação, os órgãos de comunicação social são farol em noite de tempestade”, precisou.

O diretor do Mensageiro de Bragança, semanário diocesano, explicou que o aumento da procura de informação “levou a que a procura do site disparasse, para “um aumento de 90 mil acessos únicos só em abril” e, pelos comentários, perceberam ser uma “franja da população”.

“Pelos comentários percebemos que era uma franja da população que não consumia informação e sentiram necessidade de informação mais próxima”, revela. 

Apesar deste aumento de procura, o jornal investiu nas publicações online e todos os esforços, neste tempo de pandemia, não são esquecidos por António Rodrigues. 

Nos dois primeiros meses houve um esforço de manter o número de páginas, controlar despesas, depois em maio já fizemos mais quatro páginas e trazemos mais ângulos de informação”.

O Mensageiro de Bragança pertence à Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIIC) – da qual António Rodrigues é membro da direção -, um organismo que procurou sensibilizar as autarquias para a “necessidade de manter uma informação credível e ativa” bem como negociar com o Governo.

“Negociamos com o Governo os apoios à comunicação social, que é todo um trabalho de bastidores, que esperemos que dê frutos porque esta situação tem sido asfixiante e pode traduzir-se no encerramento de muitos órgãos de comunicação social mais pequenos e com menos meios e temos de procurar soluções criativas”, assume.

Paulo Rocha, diretor da Agência ECCLESIA, destaca que este 54.º Dia Mundial das Comunicações Sociais fica marcado pela “criatividade” e afirmação da comunicação na Igreja.

Este dia mundial fica marcado por esta experiência que estamos a fazer e pela confirmação de que a comunicação na pastoral da Igreja é um setor prioritário; se antes recorríamos a ferramentas de comunicação, agora experimentamos que fazem parte do nosso quotidiano”.

Durante o tempo de confinamento, a Agência ECCLESIA teve uma “maior procura e necessidades diferentes”,que tentou responder com conteúdos de “fazer companhia, estar presente, e chegar com informação que as pessoas mais procuravam, como a “indicação dos horários das missas online”. 

“Este tempo em que o método foi diferente, a proximidade às fontes de notícia era a mesma, em ambiente digital, e as pessoas corresponderam de forma criativa e comprometida, por exemplo tivemos duas ocasiões que pedimos que os bispos participassem em projetos coletivos – numa mensagem de Páscoa e por altura do 13 de maio – para que estivéssemos unidos a toda Igreja em Portugal, não tendo de ser única, pode ser uníssono”, observa.

“Conversas na Ecclesia” foi um dos projetos lançados em tempo de confinamento, com o propósito de trazer realidades diferentes em vários âmbitos, numa conversa em ambiente digital, “mantendo a ligação”. 

“Era um projeto já antigo mas que, por altura da Semana Santa, em conversa com o Cardeal José Tolentino, ele me dizia “invistam na Palavra, na conversa, nos assuntos destes dias” e pensei que com aquele entusiasmo teria de ser agora, por isso, temos mantido este ritmo com conversas muito diversificadas, de várias realidades, várias zonas do país e até do estrangeiro”, refere. 

O Dia das Comunicações Sociais e os desafios enfrentados pelo setor durante esta pandemia vão ser o mote para o programa de rádio ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública, no próximo domingo, pelas 06h00, ficando depois disponível online.

SN

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