Publicações: Igreja «deve sempre entrar por caminhos novos», afirma o historiador padre David Sampaio Barbosa

Obra de homenagem ao autor apresenta o cristianismo como uma «história de reformas»

Foto Agência ECCLESIA/TAM, apresentação do livro de homenagem ao Padre David Sampaio Barbosa

Lisboa, 29 abr 2026 (Ecclesia) – O padre David Sampaio Barbosa, professor de História da Igreja, defende que a Igreja não deve ter receio de “entrar por caminhos novos” e apresenta o cristianismo como uma “história de reformas”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o investigador defende que a Igreja Católica “nunca deve reconhecer como está tudo acabado” e “deve realmente sempre entrar e ir por caminhos novos”.

O padre David Sampaio Barbosa é professor de História da Igreja desde 1970, década em que concluiu o doutoramento com a tese intitulada “O Governo português e a crise do papado nos anos de 1848-1870”, tendo iniciado a docência no Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET) em 1972 e na Universidade Católica Portuguesa (UCP) em 1981.

Foto Agência ECCLESIA/TAM, Padre David Sampaio Barbosa

Na apresentação do livro “Cristianismo: uma história de reformas”, que reúne os textos do padre David Sampaio Barbosa e assinala uma homenagem ao investigador e professor de História da Igreja, o autor afirmou que, como em qualquer época, também hoje as reformas na Igreja devem ser encaradas “com muita serenidade”, onde inclui a temática da sinodalidade.

“As reformas ser encaradas com muita serenidade, com muito estudo e, acima de tudo, convencidos de que todas as reformas, bem feitas irão beneficiar as comunidades cristãs, a Igreja e o mundo”, sublinhou o padre David Sampaio Barbosa.

Professor e investigador, sacerdote, que pertence à Congregação dos Missionários do Verbo Divino, está neste momento aposentado, a recuperar de uma doença que limita a sua atividade académica e missionária.

Na sessão de apresentação da obra, que decorreu no auditórios dos Missionários do Verbo Divino, em Lisboa, o padre David Sampaio Barbosa expressou o “razoável otimismo” que o acompanha, referindo que a situação clínica o obriga a “um ritmo de vida diferente” e garantindo que se sente “acompanhado”.

Não estou só. Nada me tem faltado. Isso também me enternece e até me comove. Obrigado por tudo! E não tem sido pouco!”

Foto Agência ECCLESIA/TAM, Padre David Sampaio Barbosa

António Camões Gouveia, que apresentou a obra “Cristianismo: uma história de reformas”, referiu-se à sua organização em torno de seis capítulos, onde se agregam textos em torno de outros tantos temas: Trento(s), clero(s), congregação (ões), instituição(ões), missão(ões) e Fátima(s).

Ao denominar cada capítulo também no plural, os organizadores da obra tentaram não perder “o dinamismo” que o investigador David Sampio Barbosa colocou na abordagem de cada um desses temas.

“É Fátima, mas quando constrói sobre a Imaculada Conceição, está a construir ainda Fátima, porque há ali uma constância de realidades. Ou quando os concílios vão do Concílio de Trento ao Vaticano I ou mesmo Vaticano II, há uma preocupação constante. É sempre concílio”, disse António Camões Gouveia em declarações à Agência ECCLESIA

Esta conceptualização da prática religiosa e da reflexão religiosa é interessante porque ajuda a pensar. E é uma coisa que ele fazia com facilidade. É uma maneira de pensar, que tem uma repercussão na construção historiográfica muito interessante”.

Para António Camões Gouveia, os textos do padre David Sampaio Barbosa devem ser lidos pela “exatidão documental, pelo conhecimento do estado da arte bibliográfico e pela possibilidade de deixar aberto, mas com um ponto final, aquilo que vai pensando”.

Paulo Fontes, diretor do Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) da UCP referiu que a obra resulta de uma “convergência institucional” entre a Universidade Católica Editora, o centro de estudos que dirige e a Faculdade de Teologia, contando com o apoio da Fundação Amélia de Mello, na coleção “Estudos de História do Cristianismo”, em que se insere esta obra, e a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

Paulo Fontes sublinhou que esta obra permite “assinalar um percurso de vida e de investigação e publicação historiográfica” do padre David Sampaio Barbosa, para que as novas gerações e os novos estudantes conheçam a investigação realizada.

Uma homenagem justíssima

Para D. Manuel Clemente, historiador, a obra é uma “homenagem justíssima, muito proveitosa, muito útil, muito oportuna”.

O patriarca emérito de Lisboa sublinha o currículo do padre David Sampaio Barbosa, acompanhado de textos de “muito boa história” que foi publicando e que estavam “bastantes dispersos” que agora se podem ler no seu conjunto em torno do tema da “reforma permanente”.

“Todos nós aprendemos com isto, até para compreendermos o momento atual à luz daquilo que foram experiências passadas. E depois também pelo magistério que ele teve, a sua postura na universidade, o seu comportamento com os alunos e com os colegas, é tudo muito exemplar e, por isso, é uma homenagem justíssima”, afirmou.

César Silva, que é missionário do Verbo Divino, como autor do livro que agora é publicado, e também professor na UCP, considera o padre David Sampaio Barbosa “uma inspiração”.

“Ele era uma pessoa extraordinária porque conseguia-nos cativar com o seu humor e muito próximo, mesmo quando os temas eram um pouco pesados, e a história às vezes tem temas um pouco pesados”, afirmou

O padre César Silva, que organizou a obra “Cristianismo: uma história de reformas” com a historiadora Cátia Tuna, lembra que o padre David Sampaio Barbosa conhecia os alunos pelo nome e “dedicava-se completamente” aos vários compromissos académicos e pastorais em que estava envolvido.

Para além de pertencer à congregação dos Missionários do Verbo Divino, onde foi reitor, formador e vice-provincial, o padre David Sampaio Barbosa “tinha a família da católica”, a universidade onde foi professor e coordenador de publicações e projetos de investigação

“Depois, uma outra família ligada a Fátima e toda a investigação à volta de Fátima, também muito importante, e outra que também devo mencionar: foi presidente durante vários anos da Ajuda à Igreja que Sofre. Era uma outra, a sua família”, afirma o padre César Silva.

O interessante é que parecia que cada uma dessas famílias era única para ele no sentido da sua dedicação. Ele dedicava-se completamente a cada uma delas e dava a impressão que só vivia para aquela família, mas no fundo conseguia ligá-las todas e pertencia a todos estes mundos, e mais, mas este só resumindo”, concluiu.

 

PR

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