Manuel Lemos defende plano para o envelhecimento para os próximos dez anos

Porto, 12 jun 2026 (Ecclesia) – O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) alertou para a sobrelotação das estruturas de acolhimento de idosos, exigindo aos decisores políticos um plano para o envelhecimento para os próximos dez anos.
“Nós hoje vemos que os lares estão completamente cheios, e é por isso que não há drenagem normal das chamadas altas clínicas para os lares”, denunciou o responsável, em entrevista conjunta à Ecclesia e Renascença, emitida e publicada hoje.
Manuel Lemos sustentou que o colapso do sistema de apoio social deixou de ser um cenário de futuro para se assumir como uma crise instalada no terreno.
“O Estado não acaba com os lares ilegais porque não tem onde pôr as pessoas, vamos lá ser claros nesta matéria. Intervém quando o abuso é muito”, afirmou.
A primeira questão é mesmo chamar quem está no terreno e os decisores políticos, para se sentarem e dizerem o que é que é preciso fazer, para podermos dizer aos portugueses: isto vai demorar 10 anos. Eu não estou a dizer 10 meses, estou a dizer 10 anos.”
O dirigente criticou a ineficácia dos fundos europeus na resolução estrutural desta carência.
“Escreveu-se no PRR que iam ser construídas 5 mil camas de qualidade de contínuos, mas depois fez-se um regulamento que era completamente absurdo”, acusou.
A pressão sobre as instituições residenciais é agravada pela ausência de alternativas robustas que garantam a permanência das pessoas nas suas próprias habitações.
“Como é que é possível regressar a casa no quadro de apoio domiciliário que nós tínhamos e temos?”, questionou Manuel Lemos, ao avaliar as fragilidades dos programas de transição hospitalar.
O presidente da UMP lamentou também a ausência de compromissos interpartidários duradouros, manifestando o temor de que o futuro Pacto para a Saúde soçobre devido a disputas ideológicas sobre a gestão pública e privada.
“Se estamos neste quadro, eu tenho muito medo de que não cheguemos a conclusão nenhuma no pacto e isto deixa de parte a necessidade de cuidar das pessoas”, advertiu o presidente da UMP.
O funcionamento diário das unidades de solidariedade enfrenta em paralelo uma grave escassez de recursos humanos, travada apenas pela contratação de cidadãos estrangeiros.
“Portugal precisa muito de imigrantes, depois precisamos de qualificar esses imigrantes”, indicou.
OC
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