Padre Miguel Neto apresenta «proposta pastoral portuguesa», no Congresso Mundial que decorre em Santiago de Compostela

Faro, 06 out 2022 (Ecclesia) – A Pastoral do Turismo – Portugal (PTP), da Conferência Episcopal, afirma que o turista tem “necessidades, anseios e procuras” diferentes, em algumas circunstâncias, e o Turismo Religioso pode ser uma possibilidade de resposta.

“Importa encarar o Turismo Religioso como uma possibilidade de responder a uma incerteza e a uma demanda de segurança emocional, que todos sentimos, sendo este produto turístico algo que acrescenta ao turista, que se consubstancia numa séria proposta de atribuição de sentido a muitas questões da sociedade contemporânea”, explica o padre Miguel Neto, diretor da PTP, num artigo enviado à Agência ECCLESIA.

Segundo esta obra pastoral da Igreja Católica em Portugal, as “necessidades, anseios e procuras” do turista hoje “tendem, em algumas circunstâncias, a ser diferentes”, com a realidade a apontar para uma procura de “bem-estar mais integral, uma maior segurança, uma busca pela natureza, pelo original ou pela simplicidade, uma necessidade do espiritual e do religioso”.

O responsável destaca que a Santa Sé, que está “consciente de todas estas linhas de força”, “quer promover” um setor que “acolhe todas as visões e não mais vive cerrada em ideias limitadas e contidas”.

Essa ‘nova Pastoral’, já não somente preocupada com o peregrino, mas com todos os turistas, uma Pastoral que assenta a sua ação na ligação e disponibilidade para estar ao lado de quem trabalha neste setor, tornar-se-á verdadeiramente útil e visível a todos, servindo o povo de Deus na sua totalidade”.

Neste contexto, a PTP adianta que isso significa utilizar o “património cultural da humanidade” para que contribua para o “enriquecimento dos seres humanos e a preservação do meio ambiente”, e dos turistas aos anfitriões, “todos os agentes relacionados com atividades desta área” são fundamentais para a “construção da fraternidade e da amizade social e, assim, descobrirem e transmitirem a salvação vinda através de Cristo”.

O Vaticano anunciou a integração do serviço de Pastoral do Turismo no Dicastério para a Evangelização, segundo as mudanças que decorrem da nova constituição apostólica ‘Praedicate Evangelium’ que reformou a Cúria Romana e entrou em vigor no dia 5 de junho, divulgou a Sala de Imprensa da Santa Sé, no dia 1 de outubro.

Foto: Obra Nacional da Pastoral do Turismo

“O Turismo é mesmo apelidado como a ‘Indústria da Paz’, dado que permite o contato e o convívio entre seres humanos de diferentes culturas, etnias e formas de viver e a aquisição de conhecimento do outro e do diferente, fatores que diminuem/eliminam a discriminação, ou a rejeição do que nos é (ou era) estranho”, destaca o padre Miguel Neto, sobre uma “uma atividade altamente inclusiva”.

Esta quarta-feira, teve início o VIII Congresso Mundial da Pastoral do Turismo, com o tema ‘Turismo e Peregrinação: Caminhos de Esperança’, até sábado, em Santiago de Compostela (Espanha); a Conferencia Episcopal Portuguesa está representada por D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, e pela direção da PTP.

O diretor nacional da PTP apresenta hoje a reflexão ‘A proposta pastoral portuguesa: o património ao serviço da nova evangelização, projeto em ação’, com Sandra Moreira, da equipa da Pastoral do Turismo.

“Olhamos com esperança para a vivacidade do setor, para todas as pessoas envolvidas e responsáveis ​​por ele, para a recuperação que se vê neste ano pós pandemia”, explica o artigo da PTP.

CB/OC

 

Turismo/Portugal: Igreja alerta para impactos da guerra e da pandemia

 

Partilhar:
Share