Diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações aborda realização de encontro sobre o legado do antecessor de Leão XIV e as migrações, que decorre esta sexta-feira
Lisboa, 19 fev 2026 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), da Igreja Católica em Portugal, mostra-se preocupada com os discursos contra migrantes e apontou a necessidade de ir ao encontro do legado deixado pelo Papa Francisco.
“Aquilo que nos espanta atualmente, nomeadamente na sociedade portuguesa, é esta narrativa hostil”, afirmou Eugénia Quaresma, em declarações ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2 (7h00), sublinhando que importa refletir sobre ela.
A responsável nacional lembrou que antes a sociedade civil era marcada pela “hospitalidade”, pelo “acolhimento” e que, apesar de ter dúvidas, pautava pelo diálogo, o que contrasta com o cenário de hoje, indicando que é preciso procurar respostas que convirjam com o exemplo deixado pelo Papa argentino.
O Fórum das Organizações Católicas para a Imigração e Asilo (FORCIM) promove, esta sexta-feira, no Dia Mundial da Justiça Social, um encontro sobre o legado do Papa Francisco e as migrações, que se realiza na Paróquia da Damaia (Lisboa), entre as 15h00 e as 19h00, e que conta com a OCPM como promotora.
Eugénia Quaresma recorda os verbos “acolher, proteger, promover e integrar” que o antecessor de Leão XIV definiu como aqueles que resumem o compromisso da Igreja com os migrantes e refugiados.
“[Os verbos] estão associados às migrações, mas depois foram alargados a toda a pastoral da Igreja. Tudo quanto seja situação de vulnerabilidade, situação de fragilidade e mesmo de enriquecimento”, lembrou.
A diretora da OCPM defende que o Papa Francisco trouxe “o tema das migrações da periferia para o centro, para a agenda”, não só da Igreja, mas de todo o mundo, realçando que as sociedades não podem se pensadas sem este fenómeno.
Questionada sobre a nova Lei dos Estrangeiros, promulgada em outubro, Eugénia Quaresma recorda que uma das grandes críticas feitas pelo FORCIM foi a “forma abrupta” como foi realizada, apontando a falta de comunicação do Governo com instituições da sociedade civil.
“Quis-se uma aprovação demasiado rápida, apenas feita nos gabinetes e com acordos um bocado duvidosos. E o tema das migrações […] se teve algum progresso no passado foi porque conseguiu sentar à mesma mesa todas as forças políticas e perceberem o que era melhor para o país”, ressalta.
Segundo a diretora da OCPM, este assunto “merece” e “precisa ser dialogado com todos, porque todos reconhecem a necessidade de migrantes”.
Sobre o encontro desta sexta-feira, Eugénia Quaresma indica que será um retomar das orientações e documentos deixados pelo pontífice sul-americano.
“Ele iniciou, de facto, um processo e uma abordagem que nos leva a uma interligação e uma comunicação maior. E precisamos, de facto, de promover estes espaços de encontro, promover espaços de diálogo, reunir diferentes atores da nossa sociedade e pensarmos, repensarmos e construirmos a nossa sociedade em conjunto. É tudo isto que nós esperamos”, expressou.
A entrevistada olha para esta iniciativa como uma semente, desejando que dê frutos e que possa ser replicada noutros espaços.
O encontro dirige-se a “todos os que queiram refletir”, os que queiram conhecer um pouco o legado e o pensamento do Papa Francisco.
“É um convite a reler, mas também acho que é muito um convite à ação. Depois de partilharmos, agirmos”, disse.
As inscrições para participar na iniciativa devem ser realizadas até hoje, através de um formulário disponível online.
O FORCIM nasceu em 2001 e integra as seguintes organizações: Cáritas Portuguesa, CAVITP – Comissão de Apoio à Vítima de Tráfico de Pessoas, CEPAC – Centro Padre Alves Correia, CNJP – Comissão Nacional Justiça e Paz, CJPE – Comissão Justiça e Paz e Ecologia; CNCGCU – Coordenação Nacional da Capelania Greco-Católica Ucraniana de Rito Bizantino, FAIS – Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, FEC – Fundação Fé e Cooperação, JRS Portugal – Serviço Jesuíta aos Refugiados. LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristão, Adoradoras – Rede Hispano Lusa de Mulheres Vítimas de Tráfico, OCPM – Obra Católica Portuguesa de Migrações.
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