Portugal: Diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais quer Igreja presente no «jogo mediático»

Rita Carvalho projeta Jornadas Nacionais para debater polarização da sociedade

Lisboa, 06 jul 2026 (Ecclesia) – A nova diretora do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS) desafiou a Igreja Católica em Portugal a abandonar atitudes defensivas e a assumir uma postura proativa perante os media.

“Às vezes penso que a Igreja tem muito receio de comunicar. Não tem de ter esse receio, tem de conhecer o jogo mediático e perceber como pode agarrar ou criar as próprias oportunidades”, afirmou Rita Carvalho, em entrevista emitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).

Licenciada em Ciências da Comunicação, a nova responsável é diretora do portal ‘Ponto SJ’ e do gabinete de comunicação da Companhia de Jesus desde que foi criado, em 2022; Rita Carvalho foi jornalista durante 15 anos.

Para a responsável, uma das prioridades passa por construir uma “nova gramática” ajustada ao ambiente digital, defendendo um planeamento institucional que vá além da reação a crises.

“Às vezes descuramos um bocadinho a comunicação mais institucional e tendemos só a pensar nela quando há um problema para resolver. Eu acho que o passo tem de ser anterior: se temos uma coisa boa para mostrar, ou até uma péssima notícia para dar, como é que vamos fazê-lo da melhor maneira?”, questionou.

Rita Carvalho projetou ainda as próximas Jornadas Nacionais de Comunicação Social, agendadas para 24 de setembro, no Seminário de Leiria, visando construir “pontes de diálogo”.

“Temos de criar formas de a Igreja ajudar a construir pontes e fazer estes diálogos, às vezes diálogos difíceis, porque a sociedade está muito polarizada”, precisou.

Isabel Figueiredo, que liderou o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais durante seis anos e meio, fez um balanço positivo deste período exigente, marcado por “crises de comunicação” ligadas aos abusos sexuais, pela pandemia de Covid-19 e pela organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2023, em Lisboa.

A diretora cessante destacou o papel de Leão XIV na abertura de novos caminhos comunicacionais para a Igreja.

“Se atendermos à forma como o Papa tem comunicado, percebemos que com ele estamos a aprender exatamente estes passos que temos de dar. Estamos a ter tempos extraordinários, por isso o que nós temos de fazer é olhar, é ver, é conversar sobre os assuntos”, sublinhou Isabel Figueiredo.

A agora secretária da Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida, sublinha a ideia de que a espiritualidade é um tema de grande “relevância”, identificando uma “sede de resposta” que não encontra noutro plano da vida contemporânea.

LS/OC

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