Setúbal: D. Américo Aguiar dirige carta ao clero e agentes pastorais, sublinhando «urgência da formação»

«Não basta pedir disponibilidade para servir. É preciso ajudar a servir melhor», escreveu o cardeal 

Foto Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

Setúbal, 29 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal lançou esta terça-feira uma carta pastoral, direcionada aos presbíteros, diáconos e agentes de pastoral da diocese, na qual sublinha a urgência de reforçar a formação cristã nas paróquias e comunidades.

“Não desistamos da formação”, apelou o cardeal no documento enviado à Agência ECCLESIA, no qual faz referência aos “tempos exigentes” atuais, com “mudanças culturais, sociais e religiosas” que “desafiam diariamente a missão da Igreja”.

“Encontramos pessoas com novas perguntas, novas linguagens, novas fragilidades e novas esperanças. Não podemos responder aos desafios de hoje apenas com os conhecimentos de ontem. O discípulo de Jesus nunca deixa de aprender, porque nunca deixa de seguir o Mestre”; pode ler-se.

Na carta, o bispo diocesano lembra que, ao longo do último ano, a diocese deu “passos importantes” a este nível, com a reabertura, “com alegria”, da Escola da Fé e dos Ministérios e a multiplicação de “propostas de formação bíblica e outras iniciativas promovidas pelos serviços diocesanos”.

“Dou graças a Deus por tudo isto. Mas não podemos ficar satisfeitos. É preciso mais. Muito mais”, defendeu D. Américo Aguiar, destacando que “ainda há demasiados cristãos que vivem a sua fé sem oportunidades regulares de formação”.

O bispo sadino frisa que “não basta pedir disponibilidade para servir”, “é preciso ajudar a servir melhor”.

“A formação não é um privilégio para alguns nem uma exigência apenas para quem exerce determinados ministérios. É uma dimensão essencial da vida cristã”, escreveu.

Nesse sentido, D. Américo Aguiar dirige um apelo muito concreto aos párocos, aos vigários, aos responsáveis das Vigararias, aos secretariados e a todos os que têm responsabilidades pastorais.

“Levemos a formação até às pessoas. Nem sempre podemos esperar que as pessoas venham aos lugares onde habitualmente organizamos os cursos. O nosso território diocesano apresenta dificuldades de mobilidade que todos conhecemos e que, para muitos, constituem um verdadeiro obstáculo à participação”, assinalou.

O bispo de Setúbal pede que as “propostas formativas sejam, sempre que possível, descentralizadas, realizando-se nas diferentes Vigararias e nas próprias paróquias”.

“Penso, de modo particular, na formação bíblica, que felizmente se tem multiplicado entre nós. Continuemos esse caminho, mas façamo-lo com sentido pedagógico e missionário. Não tenhamos receio de começar pelo essencial”, salientou.

Aos agentes de pastoral, o cardeal apela a que não tenham “receio de voltar a estudar, de fazer perguntas, de aprofundar a Sagrada Escritura, a doutrina da Igreja, a liturgia, a espiritualidade e os desafios do mundo contemporâneo”, ressaltando que “a humildade de aprender é uma das formas mais belas de amar a Igreja”.

“Sonho com uma Diocese onde a formação chegue verdadeiramente a todos, todos, todos. Aos jovens e aos adultos. Aos que começaram agora e aos que servem há muitos anos. Aos ministros ordenados e aos leigos. Às comunidades maiores e às mais pequenas. Ninguém deve sentir que já sabe tudo; ninguém deve ficar sem oportunidade de crescer”, desejou.

Na carta, o bispo faz o pedido aos diocesanos para que acolham “a formação como um compromisso pessoal e comunitário”: “Que cada paróquia procure envolver mais pessoas. Que cada movimento incentive os seus membros. Que cada serviço diocesano faça da qualidade da formação uma prioridade”.

“Tudo o que investirmos hoje na inteligência da fé, na maturidade cristã e na preparação dos nossos agentes pastorais será um dos maiores serviços que podemos prestar ao futuro da Diocese de Setúbal”, considerou.

No final do documento, intitulado “A urgência da formação”, o bispo faz alude ao tempo do verão, desejando a todos os que tenham a possibilidade possam “usufruir de alguns dias de descanso, de convívio familiar e de renovação física, espiritual e pastoral”.

“Quero, ao mesmo tempo, expressar a minha profunda gratidão a todos os que, precisamente neste tempo, continuarão a desempenhar generosamente o seu serviço nas paróquias, nas comunidades, nas instituições e nos diversos serviços pastorais, permitindo que outros possam gozar as suas férias”, expressou.

LJ/OC

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