Organização católica apresentou caderno de intervenção política

Lisboa, 10 mar 2020 (Ecclesia) – Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, afirmou hoje na apresentação do 1.º caderno de intervenção política, que o organismo católico não é “apenas denunciador, mas propositivo”, trabalhando para uma sociedade mais humana e justa.

“Este caderno procura demonstrar que, na descrição sem alaridos nem posturas agressivas, temos as nossas propostas para apresentar, não somos apenas denunciadores do que vemos para propositivos, queremos à luz do pensamento social da Igreja, apresentar as nossas propostas para uma sociedade mais humana e mais justa”, disse à Agência ECCLESIA.

O primeiro caderno de intervenção política quer dar a conhecer as propostas da Cáritas Portuguesa perante os grandes problemas sociais e o presidente denuncia mesmo que houve pouco diálogo com os governantes. 

“Nós não queremos impor as nossas propostas mas há uma coisa fundamental é que cada governante é chamado a dialogar e foram raros os casos em que fomos chamados para, de viva voz, planarmos melhor as propostas”, refere. 

Eugénio Fonseca quer destacar que a Cáritas não se posiciona apenas na distribuição dos “bens pelos mais carenciados”, mas reflete sobre os problemas e apresenta propostas que os governantes veem agora em “exposição escrita”, que não são “megalómanas nem com efeitos à vista numa legislatura”.

Para nós é importante esta intervenção, sendo certo que é possível erradicar a pobreza com a maior distribuição da riqueza existente mas, no dia a dia o compromisso tem de ser de todos”.

Rui Pereira, do Observatório da Cáritas Portuguesa, referiu que este caderno contou com ligação direta às Caritas diocesanas, com informações dos atendimentos, e informou que esta gestão de dados está a ser reformulada. 

“Um programa que é disponibilizado gratuitamente às instituições locais  e que nos permite um conhecimentos real das situações de pobreza”, explica.

António Santos Luis, do Núcleo de Observação Social (NOS) da Cáritas Portuguesa, acrescentou ainda que querem ver “os problemas resolvidos nos termos corretos” e que é necessário que as soluções passem a ser “à medida de cada um”.

“Um dos aspetos que consideramos fundamental é ter um programa de habitação específico para estas pessoas em situação de pobreza e exclusão social, se não houver este tipo de programa nunca vão conseguir ter uma habitação condigna”, acrescenta.

A apresentação do caderno integra-se na Semana Cáritas, a decorrer até domingo, que este ano tem o lema “Cáritas é Amor”.

HM/SN

 

Portugal: Desemprego, habitação e a educação materno-infantil são grandes problemas sociais – Cáritas (c/vídeo) 

 

 

 

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