D. Joaquim Mendes afirmou que a iniciativa representa uma realidade “invisível, geográfica e socialmente”

Foto: AE/LFS

Fátima, 18 set 2021 (Ecclesia) – A Pastoral Penitenciária viveu este sábado a sua peregrinação nacional ao Santuário de Fátima e o coordenador nacional, padre José Luís Gonçalves, disse à Agência ECCLESIA que é “um caminho feito em nome dos que não podem caminhar”.

“É a quinta vez que cá vimos, não viemos tantos como era habitual devido à pandemia, mas é um momento importante para quem veio e para criar relação com os que não puderam vir mas necessitam; os visitadores precisam deste caminho feito por nós mas que é também feito em nome dos que não podem caminhar”, disse padre José Luís Gonçalves à Agência ECCLESIA. 

Nesta peregrinação, que iniciou com a Via Sacra, até ao Calvário Húngaro, seguida de almoço partilhado, participaram ex-reclusos, famílias, voluntários, guardas prisionais, assistentes espirituais e religiosos prisionais o que, segundo o assistente nacional, “mostra a transversalidade do ministério da prisão”.

“Não podemos ver o recluso fechado ali, temos de ver uma família, um bairro, e uma comunidade, um conjunto de profissionais que giram à sua volta para permitir o melhor que a sociedade tem para eles”, refere o sacerdote.

D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa, que acompanha a Pastoral Penitenciária no seio da Conferência Episcopal Portuguesa, adiantou também à Agência ECCLESIA que esta é uma “peregrinação representativa de uma realidade que é invisível geográfica e socialmente que são as prisões, os reclusos, a verdadeira periferia, apesar de terem cama e comida, não têm liberdade”.

“No grupo que aqui está queremos trazer da periferia ao centro os que estão privados de liberdade nas cadeias, confiá-los a Nossa Senhora e, ao mesmo tempo dar voz e visibilidade porque as cadeias são invisíveis”, explicou.

Do programa da peregrinação constou também a Eucaristia, presidida por D. Joaquim Mendes, onde na sua homilia apontou a necessidade de remover a “desconfiança e o medo” perante as prisões que ainda são olhadas como “lugares de exclusão, de pobreza, de dor e de solidão”.

“As prisões desafiam a cultura do descartável a que é necessário contrapor a lógica da reabilitação e da inclusão, inspirada no Evangelho, que nos compromete como cristãos e como Igreja, onde Cristo está e nos chama”, proferiu.

Este ano a Pastoral Penitenciária de Portugal já realizou o seu XVI Encontro Nacional, em dois momentos, um presencial e outro online, nos dias 21 de junho e 10 de julho.

LFS/SN

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