Obras Missionárias Pontifícias: Padre Manuel Augusto, novo diretor nacional, quer «reavivar espírito missionário» das comunidades

Designado para um mandato de cinco anos, religioso comboniano alerta para risco de Igreja em saída se «ficar só por palavras»

Foto: Agência ECCLESIA/PR

Fátima, 13 mai 2026 (Ecclesia) – O padre Manuel Augusto, missionário comboniano, é o novo diretor nacional das Obras Missionárias Pontifícias (OMP) e, em declarações à Agência ECCLESIA, assumiu que quer dar um impulso à missão das comunidades.

“Eu pensei que na minha idade já não me iam pedir isto, pediram e eu com naturalidade aceitei, com o desejo de simplesmente de estar disponível para dar um contributo a esta promoção da comunhão entre as igrejas locais e a Sé apostólica, para reavivar o espírito missionário das nossas comunidades”, afirmou o sacerdote, esta terça-feira, em Fátima.

De acordo com a Agência Fides, o Dicastério para a Evangelização (Santa Sé) nomeou o padre Manuel Augusto, de 76 anos, para o cargo de diretor nacional das OMP, em fevereiro deste ano, para um mandato de cinco anos (2026-2031), sucedendo ao padre José Rebelo.

Na 214ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em abril, os bispos congratularam o novo responsável pela designação para o serviço que agora abraça.

O padre Manuel Augusto olha para a função das Obras Missionárias Pontifícias como a promoção da comunhão “que leva a um empenho missionário”, destacando que, felizmente, vive-se hoje uma Igreja que se pensa “em saída”, citando o Papa Francisco.

“Mas, de facto, corremos o risco de ficar só pelas palavras. As Obras Missionárias têm esta função de animar e de promover iniciativas concretas, portanto, que começa com a animação para o Dia Missionário Mundial, em Outubro, mas com muitas outras. Portanto, para manter vivo o espírito missionário”, disse.

Apesar do passado missionário português ser “grande”, o missionário comboniano observa que no presente a realidade é diferente, realçando que as necessidades estão a consumir as energias.

“Temos que dar resposta ao desafio missionário aqui, mas não podemos esquecer o horizonte universal. E, portanto, não podemos esquecer a comunhão que devemos ter com o Santo Padre na promoção da Missão Universal da Igreja”, enfatizou.

Questionado sobre o desejo de missão de alguns padres diocesanos, o novo diretor nacional das OMP considera este “um sinal muito bonito” e “muito positivo” os sacerdotes decidirem sair “das próprias igrejas e fazerem uma experiência” missionária.

“Temos que promover para que isso continue e para que aqueles que assumem a missão universal, os tradicionais institutos missionários, possam ser percebidos pelas comunidades eclesiais como uma expressão deste empenho missionário. E acariciados neste aspeto”, defendeu.

O padre Manuel Augusto nasceu a 20 de janeiro de 1950, em Arcozelo das Maias, no concelho de Oliveira de Frades, na Diocese de Viseu.

De acordo com o jornal ‘Voz da Verdade’, o sacerdote foi diretor das revistas missionárias combonianas em Lisboa (Além-Mar e Audácia) e da World Mission, publicada pelos Missionários Combonianos em Manila, nas Filipinas.

O padre Manuel Augusto realizou missão no Quénia, onde dirigiu o Centro Internacional para os Irmãos em Nairobi (1984-1988), e nas Filipinas, onde foi Superior Geral dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus (mccj) de 1997 a 2003, informa a Agência Fides.

Dirigiu o Studium Combonianum, o Gabinete de Investigação Histórica dos Missionários Combonianos, de 2015 a 2025 em Itália, primeiro em Limone sul Garda e depois em Roma.

PR/LJ/OC

214.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa – Comunicado final

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