O novo normal

Leonor João, Agência ECCLESIA

Foto: Agência ECCLESIA/MC

O ano é 2026 e quando se esperavam carros voadores ou robôs domésticos, assistimos, por outro lado, ao recuo da humanidade. A forma mais elementar e primitiva de resolver conflitos voltou a ser uma tendência num mundo que mudou, se tornou perigoso e onde é difícil prever o momento seguinte.

Há quatro anos, a guerra voltou à Europa, depois de décadas em que se julgou ser impensável viver numa realidade semelhante à contada nos livros de história. O som de sirenes e das bombas, as imagens de destruição e as histórias de famílias desfeitas chocavam e não deixavam ninguém indiferente. Em cada casa, conversa entre amigos, noticiários e manchetes, o tema era o mesmo. As palavras medo e ansiedade surgiram, impactando a saúde mental de muitos, ainda que o conflito estivesse a milhares de quilómetros de distância.

Mas, se na altura se pensou que não havia como piorar, o tempo provou o contrário. Depois da Ucrânia, o mundo conheceu uma nova escalada de violência, no Médio Oriente, no Sudão, entre EUA e Irão, entre Líbano e Israel…. Muitas mais geografias havia por nomear.

O que mudou? A guerra tornou-se banal e uma palavra marcadamente presente no quotidiano. Hoje é comum ligar a televisão e assistir a ataques violentos entre nações, a incumprimentos de cessar-fogo, a intervenções militares e a ameaças de líderes mundiais de invasão de outros territórios.

Num cenário internacional onde impera a violência e a indiferença, como garantir a paz? Há dias, nas Jornadas de Comunicação do Santuário de Fátima, o antigo embaixador da União Europeia nos Estados Unidos da América João Vale de Almeida deu a resposta. É preciso: prevenir a guerra, dissuadir os inimigos, privilegiar a cultura da negociação, valorizar as instituições internacionais e reconhecer a importância da sociedade civil.

Vivemos tempos incertos, estranhos, onde a empatia, a sensibilidade e o respeito pelo outro desaparecem. É este o exemplo que vão receber as novas gerações? É este o mundo em construção? É urgente mudar o rumo da história.

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina, e vinculam apenas os seus autores.)

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