Férias: O Sagrado Direito de Parar Sem Desistir de Deus

Luísa Gonçalves, Diocese do Funchal

O descanso não é um luxo supérfluo, mas sim uma necessidade vital e uma dádiva divina que urge resgatar na nossa sociedade hiperativa. No ritmo frenético em que vivemos, as férias surgem como um espaço sagrado de paragem, um momento para abrandar o passo, respirar fundo e restabelecer o equilíbrio que a rotina diária tantas vezes destrói. O próprio Deus, ao contemplar a Criação, instituiu o repouso como parte do equilíbrio do universo, e o próprio Jesus procurava frequentemente o isolamento com os seus discípulos para recuperar forças. Parar as nossas obrigações profissionais e domésticas é, por isso, um ato de profunda sabedoria e fidelidade à nossa própria natureza humana.

No entanto, há uma diferença crucial entre fazer uma pausa nas tarefas do mundo e fazer uma pausa na nossa vida espiritual. Se as férias servem para revigorar o corpo e desanuviar a mente, a alma continua a necessitar do seu alimento essencial, que não conhece sazonalidade. A ida à Missa dominical não deve ser encarada como mais uma rotina burocrática da qual precisamos de férias, mas sim como o verdadeiro ponto de encontro que dá sentido e profundidade ao nosso descanso. É no altar que encontramos o repouso mais autêntico, aquele que nenhuma praia ou viagem consegue oferecer por si só: a paz interior e o alívio para as nossas fadigas mais profundas.

Mudar de cenário geográfico ao longo do verão ou de um período de descanso não implica, de modo algum, afastarmo-nos do Criador. Pelo contrário, as férias oferecem uma oportunidade única para viver a fé com uma nova frescura. Participar na Eucaristia numa paróquia diferente, seja numa pequena igreja de aldeia, numa comunidade à beira-mar ou até no estrangeiro, recorda-nos a beleza de uma Igreja universal e acolhedora, onde somos sempre recebidos como irmãos. Em suma, o descanso legítimo revigora as nossas forças humanas, enquanto a fidelidade ao encontro dominical sintoniza o nosso coração com o que verdadeiramente importa, garantindo que regressamos da paragem verdadeiramente renovados por fora e por dentro.

 

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

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