Vocalista do grupo «Simplus» fala do seu percurso de fé, de composição musical, do que a competição profissional no ténis lhe ensinou e do que significa resgatar vidas, «em comunidade», na associação Vale de Acor

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 27 abr 2022 (Ecclesia) – Maria Durão, vocalista do grupo «Simplus», diz que o percurso que tem feito lhe mostra que a vida chama “para uma coisa grande”, e que “Deus usa tudo o que acontece” para mostrar esse caminho.

“O que mais ganhei com a experiência de ter jogado ténis profissional, foi a grande intuição de fundo de que a vida é para uma coisa grande. Depois percebi que a coisa grande era maior ainda que ganhar Roland Garros (Torneio de Roland Garros, realizado em França), mas essa intuição não saiu e foi ela que me levou a entrar no grupo de oração e conduziu a tudo o que aconteceu depois na minha vida”, conta a terapeuta da Associação Vale de Acor à Agência ECCLESIA.

“Deus usa tudo o que nos vai acontecendo, mesmo sem uma relação entre as coisas. Eu estava a tirar Gestão, decidi a área porque era a que me permitia ter mais tempo para treinar ténis, nunca foi o centro da minha vida. Estava desanimada no curso. Nessa altura surgiu a Missão País, fui responsável pela ação social das Equipas Jovens de Nossa Senhora, e comecei a fazer voluntariado”, acrescenta.

Maria Durão cresceu numa família que lhe “anunciou a presença de Deus”, com quem estabeleceu uma “relação natural”, “a quem pedir” e com quem se relacionava, admitindo que a composição musical ajuda a “falar com Deus”.

“Sempre tive a necessidade de falar com Deus e também de me dar conta das coisas. As músicas eram uma forma de me dar conta do que tinha vivido naquele dia, de alguma coisa que tinha percebido de novo. Fazer uma música ajuda a tornar mais claro, e quando uma coisa se torna mais clara, bonita e nova, aparece o desejo de o dizer aos outros. Gosto de pensar na oração como algo ligado à vida, e as minhas letras são percebidas na vida, comunicadas à vida dos outros, têm como origem e destino a vida”, indica.

O início da sua ligação à música surge com a participação num grupo de oração, “à sexta-feira à noite”, onde a composição era algo natural, e dessa forma, entendeu também ser natural começar a escrever e a compor.

“É engraçado ver como as coisas importantes na vida nos são dadas. Não é evidente porque geralmente achamos que temos de conquistar as coisas importantes da vida. É preciso, claro, trabalho e perseverança, mas o grande trabalho a fazer é saber receber, que não é nada evidente. Receber o que é dado: estar atento, acolher, deixar-se modelar pelo que é dado”, valoriza.

Desde então, com o primo Luís Roquete, músico profissional, o grupo «Simplus» editou seis álbuns e o mais recente, «Levanta-te», deseja ser “oferecido à Igreja”.

“Foi o desejo de não fazermos um disco à margem do que a Igreja está a viver, com o caminho para a Jornadas Mundiais da Juventude. (O facto de ter) uma capa muito simples indica uma marca branca, porque é um disco que gostaríamos que fosse da Igreja”, apresenta.

Na conversa que vai ser emitida no programa de rádio na Antena 1 esta noite, Maria Durão recorda o inesperado de ter estudado Gestão, “sem qualquer convicção”, o facto de ter participado na primeira edição da Missão País, em 2003, e o trabalho que desenvolve, “em comunidade”, como terapeuta na associação Vale de Acor.

“É uma grande graça trabalhar no Vale de Acor. É um lugar de muitas coisas grandes, impressionantes. Seja pelo facto de trabalharmos em equipa, sermos uma comunidade, e perceber muito bem que a vida de um rapaz não é salva por um terapeuta muito bom mas é um corpo que o levanta, é uma comunidade, caso contrário não seria possível. A grandeza é eu colaborar na tarefa de outro que é maior do que eu. E os próprios rapazes: tantas vezes sou educada pelas mudanças que fazem na sua vida, pelas histórias de ressurreição que testemunhamos”, reconhece.

Maria Durão radica ainda o seu caminho à participação no Movimento Comunhão e Libertação, local onde diz, ter encontrado um lugar que falava sobre as perguntas que fazia.

“Era uma altura em que eu tinha muitas perguntas e, surpreendentemente, encontrei um lugar onde a minha pergunta era compreendida. A sensação não era da resposta, mas mais de encontrar um lugar onde se falava sobre o que eu perguntava. Senti que era a minha casa, aqui estou sintonizada, estão a falar do que eu falo”, explica.

O percurso, as primeiras composições e certezas na vida, as músicas no último álbum «Levanta-te» que mais marcam Maria Durão, vão estar em destaque no programa Ecclesia na Antena 1, que vai para o ar pouco depois da meia-noite.

LS

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