Mundial 2026: Papa diz que futebol mostra importância do coletivo

«Alguém pode ser uma estrela, mas se nunca passa a bola e não deixa os outros entrar no jogo, provavelmente vai perder», disse Leão XIV, em Barcelona

Foto: Lusa/EPA

Barcelona, Espanha, 10 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa evocou hoje o início do Mundial 2026, apresentando o futebol como uma lição contra o individualismo.

“O futebol também nos ajuda a recordar algo muito importante: a vida não é uma corrida para se viver de forma solitária, é algo que se joga em equipa e é preciso aprender a correr juntos”, disse Leão XIV, num encontro com organizações solidárias, em Barcelona.

“Alguém pode ser uma estrela, mas se nunca passa a bola e não deixa os outros entrar no jogo, provavelmente vai perder”, acrescentou.

A intervenção surgiu em resposta a uma carta do pequeno Renzo, de seis anos, e foi apresentada na igreja de Santo Agostinho, num bairro marcado pela pobreza.

“Quando estive em Trujillo (Peru), jogava futebol com os seminaristas. Defesa, se querem saber, não era grande goleador”, gracejou.

Leão XIV recordou que gosta mais de jogar ténis e que, quando era jovem, praticou “futebol americano, um pouco mais violento”.

“Quando estava em Roma, onde vivi a minha primeira experiência do Mundial, o de 1982, que foi aqui em Espanha, e depois no Peru, com os seminaristas, acompanhava muito as equipas locais, mas também jogava com os seminaristas”, relatou.

O campeonato de mundo de futebol masculino, o primeiro de sempre com 48 seleções, incluindo Portugal, vai decorrer entre quinta-feira e 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

“Um pouco de desporto faz bem a todos, é preciso procurar, digamos, manter-se e estar em boa saúde de corpo, mente e alma; isso, sim, tem feito parte da minha vida”, assinalou o Papa.

Foto: Lusa/EPA

O encontro decorreu no interior da igreja de Santo Agostinho, onde várias entidades diocesanas prestam assistência a populações sem-abrigo e a famílias carenciadas.

No México, a Conferência Episcopal local assinalou que o Mundial de Futebol não deve ocultar a grave crise de segurança e a criminalidade que afetam o país.

“O desporto não deve ser uma distração para estas dores, mas uma oportunidade privilegiada para colocar as nossas diferenças ao serviço da justiça, da verdade e da paz”, exigem os bispos católicos.

O documento sublinhou que a convivência local vive ensombrada por rivalidades extremas, denunciando abertamente o drama dos “desaparecimentos”, da corrupção e das constantes injustiças sociais.

A reflexão dos bispos católico recuperou a recente intenção de oração do Papa para o mês de junho, que convida as comunidades católicas a rezar “pelos valores do desporto”.

Leão XIV afirmou, na proposta de oração, que é “uma alegria jogar em equipa”, porque “ninguém se salva sozinho”, desejando que o desporto seja “caminho de paz” e “escola de fraternidade”.

“Faz que aqueles que praticam, treinam ou apoiam descubram no desporto uma linguagem universal que aproxima culturas, une povos e semeia respeito, solidariedade e superação pessoal”, pediu o Papa.

OC

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