Responsável pelo grupo alerta para «carência extrema» que atinge comunidade, acompanhada pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição

Lisboa, 03 mai 2026 (Ecclesia) – Um grupo de mais de 20 jovens universitários portugueses vai partir em missão para o bairro de Mumemo, no distrito de Marracuene, em Moçambique, de 12 de julho a 8 de agosto de 2026, com o objetivo de apoiar a comunidade local.
Em entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e à Rádio Renascença, Teresa Mello e Castro, a responsável pelo projeto, descreveu a situação crítica vivida pela comunidade local, que descreve como de “carência extrema”.
“Neste momento, o centro de saúde apenas tem paracetamol, não tem mais nenhum medicamento”, alertou, apontando ainda a falta de material clínico básico como luvas, pensos, ataduras, além de equipamento hospitalar, nomeadamente um ecógrafo para a maternidade e utensílios para as salas de tratamento.
A responsável pelo projeto, que nasceu após uma visita da própria a África em 2023, referiu que o Estado moçambicano exige determinados materiais, mas “não dá apoio para que consigam ter esses materiais”.
O bairro de Mumemo foi fundado na sequência das cheias de 2000 e 2001 pela Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição e acolhe atualmente cerca de 1800 famílias, “aproximadamente 10 mil pessoas”.
Ao longo das últimas duas décadas, as religiosas construíram duas escolas, orfanatos, centro de saúde e habitações, assumindo um papel “maternal com esta comunidade”.
“O dia-a-dia delas é a entrega constante a cada pessoa e a cada necessidade do bairro”, recordou a jovem universitária.
Durante o mês de missão, os voluntários vão apoiar o trabalho das religiosas nas escolas, no centro de saúde, na preparação diária de refeições e na manutenção do bairro.
A atenção irá recair, igualmente, sobre os dois orfanatos, com capacidade para acolher 300 crianças, onde os jovens portugueses irão acompanhar as crianças e desenvolver atividades.
“Nós sabemos que não vamos acabar com a pobreza em Mumemo. O nosso principal objetivo é levar alegria e dignidade àquele bairro, mostrar que eles não são esquecidos e não estão sozinhos”, assumiu Teresa Mello e Castro.
A responsável apela ao contributo, quer financeiro quer através da doação de material, alertando que a escassez de medicamentos e material clínico pode representar a “diferença entre a vida e a morte”.
Os interessados em apoiar podem entrar em contacto com a organização através da conta da rede social Instagram “Missão Mumemo“, sendo também possível ajudar através do apadrinhamento de crianças ou através de voluntariado no local.
No domingo em que se celebra o Dia da Mãe, a jovem destacou a resiliência das mães moçambicanas, que lutam pelos filhos “para que eles consigam ter o mínimo”.
“Estas mães de Mumemo, com tão pouco, lutam tanto para que os filhos todos os dias continuem a ter comida e continuem a conseguir ir à escola e continuem a estar enquadrados na sociedade”, concluiu.
Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
