D. Cláudio Dalla Zuanna alerta que é preciso «não esquecer Moçambique» depois da ajuda de emergência

Foto: Lusa

Beira, Moçambique, 27 mar 2019 (Ecclesia) – O arcebispo da Beira afirmou hoje que a anunciada visita do Papa Francisco a Moçambique vai ser um momento “de encorajamento e de consolidação” para a paz no país lusófono, que neste momento recupera da devastação do ciclone Idai.

“Com esta situação de pobreza, também devido ao ciclone, vai ser uma palavra de consolação e encorajamento”, disse D. Cláudio Dalla Zuanna à Agência ECCLESIA.

O arcebispo argentino salienta que uma visita do Papa é sempre “muito importante”, considerando que Moçambique é um país que Francisco “privilegia”, pela “situação de dificuldade” e “não só agora pelo ciclone”.

“São centenas os jornalistas que acompanham uma visita papal e o país é posto em destaque, é o centro da atenção. Por isso, há um reflexo mediático ligado à visita que h de fazer bem a Moçambique”, desenvolveu, sobre a visita que vai decorrer entre 4 e 6 de setembro, antes das passagens de Francisco por Madagáscar e Maurícia.

D. Cláudio Dalla Zuanna assinala que estas viagens são “preparadas com longo tempo” e os bispos moçambicanos partilharam “opiniões sobre alguns lugares” onde o pontífice poderia passar.

“Seria bonito, numa situação como a nossa, que o Papa chegasse aqui”, acrescenta, contando que as “pessoas estão esperançosas”.

Moçambique, nomeadamente a região da Arquidiocese da Beira, foi atingida pela passagem do Ciclone Idai, a 14 de março, que deixou um rasto de destruição, inundações, mortos e desalojados.

O arcebispo realça que “é preciso olhar mais para a frente, para a reconstrução”, depois da “emergência imediata”, uma vez que, “não é pensável” que “os poucos que têm sorte, têm trabalho e salário de 80 euros por mês” possam construir ou reconstruir a sua casa sozinhos.

“Será preciso não esquecer Moçambique depois que passou a emoção desta situação, A cidade, as pessoas precisam de ajuda a reerguer-se”, afirmou.

Fazendo um ponto de situação, adiantou que, “agora, o grande desafio é distribuição” da alimentação que chegou à região depois da reabertura da estrada e da chegada de “muitas agências humanitárias e aviões”.

D. Cláudio Dalla Zuanna refere que há pessoas que pedem comida e esta talvez já esteja ali “mas é um pouco difícil este trabalho de coordenação”, sendo “a grande dificuldade a distribuição”.

O arcebispo argentino salientou que a companhia das águas já “reativou” a sua distribuição “em quase toda a cidade” e o saneamento é outra realidade que “poderia tornar-se uma emergência” devido ao uso de “água não potável” onde já “há surgimento de doenças intestinais e poderia tornar-se mais grave.

Esta terça-feira, revela, houve um encontro com “quase todos” os padres e religiosas, que se encontram “bem”.

“Estão todos envolvidos neste trabalho de identificar famílias mais carentes e ajudar um por um. O trabalho das paróquias é, essencialmente ir aos bairros, identificar pessoas e, através da Cáritas começamos a distribuição”, desenvolveu o responsável, explicando que “ficou muita gente nos bairros”, onde “uma ou duas paredes aguentaram”.

Neste contexto, alertou para um “problema grande” em áreas fora da cidade, que foram afetadas pelas inundações, para onde “já no tempo seco não havia caminhos”.

Para além de Moçambique, o ciclone Idai atingiu o Zimbábue e Malauí e o Papa Francisco, através do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral, determinou uma contribuição de 150 mil euros, 50 mil euros para cada um destes países do sudeste da África.

CB/OC

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