Responsáveis da autarquia elogiam trabalho dos missionários no primeiro ano que estão nesta vila, em Pombal, e apoiam a população num momento difícil

Abiul, 21 fev 2026 (Ecclesia) – A localidade de Abiul, em Pombal, Diocese de Coimbra, recebe este ano, pela primeira vez, os jovens universitários da Missão País, que estão a desenvolver algumas ações de limpeza nas ruas e de recuperação de habitações, após a passagem das tempestades das últimas semanas.
“Há telhados de chapa que nós já fomos arranjar, árvores que estão caídas que estamos a ir levantar e mesmo casas que estão assim destruídas e que é preciso alguma ajuda ou alguma arrumação, mesmo na parte exterior”, explica António Vidal, um dos chefes gerais da Missão da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa, em declarações à Agência ECCLESIA, esta sexta-feira.
Nascida há 23 aos, a Missão País é um projeto católico de universitários que consiste em levar, durante uma semana, na pausa entre semestres, estudantes universitários a aldeias ou vilas de Portugal.
Entre 15 de fevereiro e até domingo, Abiul recebe esta experiência missionária, dias após o mau tempo ter causado danos na localidade, como consequência das depressões que assolaram o país, com maior incidência na região centro.
Tivemos bastantes estragos, nomeadamente a nível das habitações, os telhados. Ficámos também sem energia elétrica parte da freguesia mais de duas semanas, sem comunicações”, menciona a vice-presidente da freguesia, Sandra Barros.

A responsável relata que a localidade é constituída por “alguma população envelhecida” e, por isso, foi uma situação “difícil”, no entanto, com a colaboração de todos, foi possível chegar a “todos os lugares e não deixar ninguém esquecido”, apesar de terem sido “momentos difíceis”.
Maria Meireles, também chefe geral desta missão, indica que houve o receio de não concretizar a missão, contudo a vila, apesar de ter sido afetada, não foi das zonas mais atingidas.
“Falámos com a junta e a junta sempre nos disse que nós iriamos conseguir ter as condições necessárias”, completa António.
No entanto, houve alterações na programação da semana, como transformar a comunidade Porta a Porta.
“Nós tentámos perceber quais eram as zonas da cidade que ainda não tinham sido recuperadas ou as estradas que ainda não tinham sido limpas”, explica Maria.
Os 51 estudantes que estão a realizar a Missão País na freguesia dividem-se, ao longo da semana, em pequenos grupos, sendo num deles responsável por andar de porta em porta a levar alegria e que nesta missão está também a desempenhar outras funções.
Nós estamos a tentar ocupar o nosso tempo ajudando a comunidade com os danos das tempestades, por isso tivemos aqui agora a limpar as ramadas que caíram destas árvores”, conta Madalena Pereira Coutinho, chefe deste grupo.
Os jovens ajudaram a remover as ramagens de uma árvore junto a um cemitério, que também foi afetado.
“Infelizmente caíram alguns cedros no interior e também danificaram bastante as campas. [Os estudantes] ajudaram-nos na remoção de algumas telhas em diversas casas”, testemunhou a vice-presidente da Junta de Freguesia de Abiul.
Outro grupo de estudantes está a ajudar a recuperar uma habitação que, depois de já ter sofrido com os incêndios, foi atingida pelo mau tempo.
“Piorou ainda mais a situação e estamos lá. Nós não somos nenhuns engenheiros, nenhuns construtores civis, mas damos o nosso melhor e com a ajuda da junta estamos a fazer já a diferença”, referiu António Vidal, de 22 anos.
Autarca há 12 anos, Sandra Barros refere que é a primeira vez que está a receber jovens universitários da Missão País e que está “a adorar”.
“Eu espero também que eles gostem e que voltem, sinceramente, porque eu acho que são iniciativas únicas em que, de uma forma discreta, conseguimos ajudar pessoas que precisam”, assinalou.
A responsável faz um balanço positivo da passagem do projeto pela freguesia e elogia o esforço dos jovens, que “é de louvar”.
É pena não poderem vir mais vezes, pelo menos uma vez por ano era ideal. Acho que para mim e para todos nós devia ser um orgulho ver estes jovens que podiam estar a aproveitar as férias escolares, agora esta interrupção letiva da faculdade, para descansarem e estarem aqui uma semana sem a família, ajudar gratuitamente, acho que é muito bom”, sublinhou.
A missionária Maria Meireles, de 20 anos, espera que a ajuda esteja a ser benéfica e enfatiza que, apesar de este ser o primeiro o primeiro ano dos estudantes na vila, estão a ser bem recebidos.
“Toda a gente me parece muito feliz por nós estarmos cá”, descreve Maria, que acrescenta que apesar de “as tempestades terem sido uma tragédia muito grande”, a missão ter calhado nesta semana possibilitou que os estudantes pudessem ajudar a população.
“Abiul estava a precisar”, expressou.
Madalena Pereira Coutinho, que frequenta o 2ºano na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa, ressalta que os missionários recebem muito mais daquilo que dão.
“Nós só queremos conversa e as pessoas ensinam-nos imenso, contam-nos sobre a sua vida e dão-nos imensos conselhos, dão-nos sempre bolo, chá e café”, descreve a missionária, de 21 anos.
Cada missão caracteriza-se por ficar três anos no mesmo local, pelo que nos próximos dois anos Abiul vai voltar a receber os jovens do projeto católico de universitários.
LJ







