Vaticano: Papa defende que «nenhum jovem pode ser deixado no banco», mas «deve ser apoiado na realização dos seus sonhos»

Leão XIV encontrou-se com os participantes do ‘Projeto Policoro’, promovido pela Conferência Episcopal Italiana e que assinala 30 anos

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 21 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa defendeu hoje, no Palácio Apostólico do Vaticano, que “nenhum jovem pode ser deixado ‘no banco’, mas deve ser apoiado na realização dos seus sonhos e na melhoria do mundo”.

Leão XIV recebeu esta manhã, em audiência, os membros do ‘Projeto Policoro’, promovido pela Conferência Episcopal Italiana, que está a completar 30 anos e cuja finalidade é promover o trabalho digno e acompanhar os jovens.

Segundo o Papa, este aniversário deve ser uma ocasião de ajudar a olhar para o futuro com gratidão e esperança.

“Vocês, jovens, são o rosto belo da Itália que não desiste, não se resigna, arregaça as mangas e se levanta novamente”, afirmou, informa o portal de notícias do Vaticano, lembrando que, em três décadas, semearam “uma quantidade imensa de bem que vale a pena ser contada”.

“Muitos ‘nãos’ foram ditos aos atalhos da corrupção, da exploração laboral e da injustiça; os bens confiscados às máfias tornaram-se investimentos em projetos sociais; foram criadas cooperativas que fizeram florescer cidades e áreas locais; muitos jovens foram acompanhados na criação de empresas”, recordou.

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Além disso, o pontífice fez memória das horas que os membros do ‘Projeto Policoro’ passaram “nas escolas e nas paróquias a educar as pessoas sobre o significado do trabalho e da justiça, a ensinar sobre a paz, a sensibilizar para o bem comum”.

“Cuidaram das feridas dos jovens marginalizados, desiludidos e desmotivados. Obrigado por todo o bem que semearam!”, agradeceu.

Nascido em 1995, o ‘Projeto Policoro’ deu os seus primeiros passos graças à criatividade pastoral dos diretores nacionais da Pastoral Social, da Caritas e da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal Italiana.

“O Projeto era uma proposta e, com o passar do tempo, cresceu tentando responder às novas necessidades e, acima de tudo, evangelizar o mundo do trabalho. Várias pessoas assumiram a responsabilidade da formação e do acompanhamento, numa sucessão que continua até hoje”, assinalou.

O Papa destacou que ainda há necessidade do empenho dos presentes, especialmente “numa época de inverno demográfico, de despovoamento das zonas mais frágeis do país, de jovens que correm o risco de ficar desmotivados e de se fecharem em si mesmos”.

“Ninguém deve sentir-se abandonado”, enfatizou.

Abordando o método de trabalho do Projeto, Leão XIV destacou o valor do acompanhamento: “As dioceses escolhem-vos e tomam-vos pela mão, e vocês apoiam os jovens que procuram um caminho no trabalho, na economia e na sociedade”.

“Desta forma, o vosso empenho em responder à crise social e de emprego no sul de Itália transformou-se num envolvimento renovado também noutras áreas”, acrescentou.

Na intervenção, o Papa apontou o evangelho como bússola dos jovens, uma vez que nele reside “a verdadeira força que transforma os corações e o mundo”.

Foto: Vatican Media

O pontífice salientou ainda a importância da doutrina social da Igreja como instrumento para interpretar a realidade, convidando os jovens a não se deixarem levar por visões pessimistas nem por ingenuidades.

Por fim, Leão XIV realçou o valor da vida comunitária numa cultura marcada pelo individualismo e pela competição.

“O trabalho, a economia, a política e a comunicação não são sustentados pela genialidade de líderes solitários, mas por especialistas em relações sociais”, vincou.

No final do discurso, o Papa encorajou os participantes a avançarem juntos com confiança.

“A Itália e a Europa precisam de vocês e do vosso entusiasmo. Nunca deixem de sonhar e de criar laços com outros jovens europeus e com outros continentes que amam a Igreja e trabalham em seu nome na sociedade”, expressou.

LJ

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