Media: Rádios sem torres de emissão derrubadas pela tempestade Kristin

No Dia Mundial da Rádio, Nuno Inácio, presidente da ARIC, valoriza papel do meio «a que as populações locais se agarram» em momentos de «calamidades»

Foto: D.R., Marinha Grande

Lisboa, 13 fev 2026 (Ecclesia) – O presidente da Associação de Rádios de Inspiração Cristã (ARIC) revelou hoje que as torres de emissão de três associadas “foram destruídas” pela tempestade Kristin, que provocou danos noutras rádios, sendo que algumas continuam sem transmissão.

“A essas juntam-se mais cerca de sete rádios que sofreram, ou nesse dia ou nas tempestades seguintes, danos ou nos seus estúdios ou nos seus emissores”, indicou Nuno Inácio, em declarações à Agência ECCLESIA.

As rádios da Marinha Grande, Cidade de Tomar e Vida Nova de Ansião “são as três situações mais graves”, adianta o responsável, que diz que, neste momento, “é completamente impossível haver intervenção nas torres”, devido ao facto de se localizarem em “pontos altos, bastante ventosos, muito sujeitos às vontades do clima”.

“Algumas [rádios] estão pura e simplesmente sem emitir”, assinala Nuno Inácio, que acrescenta que as restantes já se encontram a funcionar, com o “restabelecimento de energia”, ou a cedência de espaços pela Juntas de Freguesia ou Câmaras Municipais.

“Mesmo das três que ficaram sem torres, algumas já conseguiram voltar a emitir, como é o caso da rádio da Marinha Grande, mas de forma precária. Ou seja, em vez de estarem num ponto, como estavam até agora, que conseguiam cobrir todo o concelho da Marinha Grande, estão a emitir desde o edifício onde a rádio está sediada”, contou.

O presidente da ARIC dá conta que ainda não é possível realizar uma avaliação dos prejuízos, uma vez que não se sabe por quanto tempo as rádios vão estar sem emitir e o estado do tempo não tem permitido.

“Este comboio de tempestades que nos tem estado a assolar, não é fácil apurar valor. Creio que, para o final da próxima semana, já se comece a ter uma visão mais abrangente e mais realista do que realmente se passou”, mencionou.

Nuno Inácio refere que as rádios “que não têm seguro terão que encontrar” vias “alternativas de financiamento”, apontando que, até ao momento, “o Governo não anunciou” e também “não se prepara para anunciar nenhum tipo de apoio específico à comunicação social, local e regional”.

“O que nos parece uma falha incrível, porque se há meio a que as populações locais se agarram num momento das calamidades, é precisamente às suas rádios locais, porque querem saber o que é que se passa na sua terra, querem saber quais são as indicações da Proteção Civil, como vimos agora no caso de Leiria, Marinha Grande, Pombal”, destacou.

Devido à tempestade Kristin, o responsável lembra que “as comunicações perderam-se por completo”, deixou de haver “redes fixas de comunicações”, num momento em que “era fundamental que as rádios locais” pudessem manter o seu trabalho.

Foto: D.R., Ansião

“A verdade é que não tem havido nunca, por parte do Governo, esse tipo de reconhecimento. Andamos há anos a avisar que as rádios não têm, por exemplo, equipamentos geradores para, quando falta a luz, conseguirem manter a emissão no ar, mas parece que, infelizmente, é preciso acontecerem infortúnios como este para que se recordem da importância das rádios”, salientou.

O presidente da ARIC lamenta que os governos se esqueçam dos jornais e das rádios locais, um problema que é “transversal” aos parlamentos de esquerda à direita, e só se lembrem deles “quando há campanhas autárquicas”.

“Mas depois, quando chegam a Lisboa, rapidamente são afetados por um vírus comum ao Parlamento, que é o do esquecimento. E é esse o sentimento que temos. Não é uma coisa exclusiva deste Governo”, sublinha.

O Dia Mundial da Rádio assinala-se hoje, dia 13 de fevereiro, sendo este um meio que, para Nuno Inácio, “é fundamental” em situações de calamidade.

“Já mostrou que, quando tem os equipamentos certos, é o único meio que continua a funcionar. E é também o meio que consegue ter a resiliência de se adaptar às circunstâncias”, realçou.

O presidente da ARIC dá o exemplo da Marinha Grande, onde a rádio ficou sem a torre de emissão e foi colocada “uma antena no topo do prédio” para garantir que a informação chegava à cidade.

“A Proteção Civil em Portugal, mas também em todos os países do mundo, recomenda sempre que exista um rádio FM dentro do kit de emergência, porque é a forma que as autoridades depois terão para fazer chegar as indicações à população do que é que devem fazer, não só no pós-evento, mas também na prevenção para o evento”, declara.

A propósito das tempestades, Nuno Inácio acompanhou muitos casos em que os municípios, “após ativarem o seu plano municipal de Proteção Civil, envolveram automaticamente as suas rádios locais” para que “pudessem ser um elo de transmissão de toda a informação para as suas populações”.

“A verdade é que em alguns desses locais [se] entrássemos em qualquer café, restaurante, loja ou bomba de combustível, toda a gente estava a ouvir a rádio local porque já sabiam que era ali que iriam receber as informações que diziam respeito à sua terra”, deu conta.

Na era da Inteligência Artificial, o presidente da ARIC defende que “a rádio tem tido a capacidade de se reinventar, de acrescentar imagem à sua emissão, de utilizar as redes sociais para propagar a sua mensagem”.

“Tem vindo, na verdade, a assumir cada vez mais espaço no plano comunicacional. O que, espero não me enganar, lhe dá uma imagem de que poderá continuar viva por muitos e muitos anos e poderá continuar a comemorar este Dia Mundial da Rádio. Espero que apenas com mais algum fôlego financeiro”, desejou.

A ARIC foi criada no dia 1 de Maio de 1991, com 29 rádios fundadoras, entre as quais se incluiu a Rádio Renascença e as suas delegações regionais, informa a página na internet.

LJ/PR

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