Jornadas Nacionais debatem formas de evitar que a visita seja apenas «tirar uma fotografia» para mostrar aos amigos
Almada, 13 fev 2026 (Ecclesia) – Vítor Tomé, professor universitário na área da comunicação, desafiou os operadores turísticos a criar “conexão” com quem visita cada local para que o objetivo de uma viagem não seja só “tirar uma fotografia e ir embora”.
Para o perito do Conselho da Europa e da Comissão Europeia, é necessário “transformar o turista em visitante”, tornando “significativo algo que o leve a não tirar só a fotografia.
“Nós temos a responsabilidade de formar o visitante. Se o visitante sentir que as palavras saem da boca, mas não há coração, leva na mesma a fotografia e vai dizer aos amigos que esteve lá, mas não há conexão”, afirmou.
Para Vítor Tomé, é necessário haver conexão para que o promotor turístico passe a informação que permita “formar o turista”, capacitando-o para escolher “o que tenha significado”, evitando escolhas que não vão além da “cosmética”.
O professor universitário referiu-se também à “mediação dos jornalistas”, considerando que “é essencial porque gera confiança”.
No segundo painel das VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo, sobre o tema “A ilusão da comunicação”, Sandra Moreira, investigadora da Universidade do Algarve, afirmou que é necessário “investir nas ferramentas de comunicação” para construir mensagens criativas para divulgar nos vários canais digitais.
“É um investimento que traz gente, porque faz parte do ciclo da preparação da viagem: preparar, fazer a viagem e comunicar a viagem”, afirmou, alertando para a necessidade de preparar materiais de comunicação fundamentados e de forma célere, para que quem necessita de informação não recorra a outras ferramentas que “respondem rápido”.
“Temos de melhorar as nossas competências porque somos parte do processo turístico e melhorar a literacia turística”, afirmou Sandra Moreira, que faz parte da Pastoral do Turismo de Portugal.
Para a investigadora universitária, da literária turística faz parte “compreender o outro e saber que não são todos iguais”, nomeadamente quando em causa estão destinos relacionados com o turismo espiritual e religioso.
“Umas pessoas vão para rezar, outras vão com outras intenções e não são menos dignas e têm de ser acolhidas sempre”, afirmou Sandra Moreira.
Para a investigadora universitária, passando uma identidade, é possível “cativar as pessoas”.
“Todos somos mediadores do turismo e temos de pensar nas estratégias para ter uma identidade, que não se perde”, afirmou.
Num painel moderado pelo jornalista da Agência ECCLESIA Octávio Carmo, que interpelou os intervenientes para o perigo da “ditadura do cenário” no turismo, Sandra Moreira afirmou que, caso não exista conhecimento das ferramentas de comunicação, dificilmente os promotores do turismo vão permitir ao turista ser mais do que “colecionadores de lugares”.
“Tem de se aumentar a qualidade da comunicação de todos os mediadores e da compreensão do processo turístico”, sublinhou.
As VI Jornadas Nacionais da Pastoral do Turismo decorrem no Santuário de Cristo Rei, em Almada, e debatem o tema “A Esperança de uma nova Sustentabilidade”.
PR
