Madeira: Funchal no roteiro das dioceses nacionais que núncio apostólico visitou para melhor conhecer Igreja portuguesa

D. Andrés Carrascosa Coso mostrou-se impressionado com instituições ligadas à Igreja na região autónoma, depois de  passagens por Faro, Braga, Porto, Évora e Açores

Foto: Jornal da Madeira/Duarte Gomes

Lisboa, 09 jun 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal visitou recentemente o Funchal, um dos 21 territórios diocesanos que manifestou vontade de conhecer, em declarações à Agência ECCLESIA, para ficar a par da realidade da Igreja Católica em Portugal.

“Eu quero visitar todas as dioceses. Agora fui a Funchal porque o bispo tinha me falado que a festa do Corpo de Deus é central. A Madeira é conhecida como a ilha do Santíssimo Sacramento, mas duas semanas antes eu estava no Senhor Santo Cristo na ilha de São Miguel, amanhã (hoje) eu vou estar na ilha Terceira”, disse esta segunda-feira D. Andrés Carrascosa Coso.

A visita pastoral de D. Andrés Carrascosa à Diocese do Funchal (Ilha da Madeira), que decorreu entre 03 e 06 de junho, surge depois de já ter passado pelo Algarve, Braga, Porto, Évora e Açores.

“Estou a tentar conhecer a Igreja portuguesa, não tanto uma diocese ou outra. Cada uma vai ter as suas características”, sublinhou à margem da apresentação da nova encíclica do Papa Leão XIV, “Magnifica Humanitas” (a magnífica humanidade), que decorreu na Feira do Livro de Lisboa.

O núncio apostólico em Portugal refere que não faz parte do seu estilo ser convidado para “uma grande festa para ser a cerejinha em cima da torta”, destacando que o seu interesse nas deslocações está em encontrar-se com os padres, passar tempo com a vida consagrada, conversar e visitar mosteiros de clausura.

“Eu visitei, por exemplo, alguns centros de serviço social que a Igreja no Funchal está a fazer. Por exemplo, o centro que tem os irmãos de São de Deus a nível de doenças mentais é o único em todo o Portugal que tem sido declarado de excelência pela União Europeia”, salientou.

D. Andrés Carrascosa Coso ressalta que é preciso reconhecer as coisas que são “feitas pela Igreja, em parceria em muitos casos com a autoridade, com o poder público”.

“Isso é a laicidade positiva, a laicidade não é que o Governo tem que ir contra a Igreja”, enfatiza.

“Quando colaboramos, quem ganha é a gente, quando não colaboramos, quem perde é a gente”, reforçou.

A passagem de D. Andrés Carrascosa Coso pelo Funchal incluiu encontros institucionais, celebrações litúrgicas, visitas a comunidades religiosas e obras sociais da Igreja na Madeira.

Em entrevista ao Posto Emissor do Funchal e jornal diocesano da Madeira, o representante diplomático da Santa Sé em Portugal expressou que, apesar de ter 41 anos de vida diplomática em vários países, ficou “profundamente admirado com a paisagem” da ilha e com a “a capacidade dos madeirenses para construir comunidade num território tão exigente”.

A juntar à Casa de Saúde de São João de Deus, D. Andrés Carrascosa Coso afirmou ter ficado “particularmente impressionado” noutras instituições ligadas à igreja, como a “obra social que está a ser feita na Ribeira Brava”.

“São exemplos de um serviço notável prestado aos doentes, aos idosos e às famílias”, acentuou.

O núncio apostólico em Portugal presidiu no dia 4 de junho à solenidade do Corpo de Deus na Praça do Colégio e, em entrevista, evidenciou que “esta festa existe porque a Igreja sente a necessidade de levar este mistério para as ruas”.

“Quando o Santíssimo Sacramento passa pelas nossas localidades, pelas nossas casas e pelas nossas famílias, estamos a colocar a presença de Cristo no coração da sociedade. Podemos apresentar-lhe as nossas alegrias, os nossos sofrimentos, os doentes, os problemas e as preocupações”, indicou.

D. Andrés Carrascosa Coso alertou para o risco de que “estas celebrações se transformem apenas em acontecimentos folclóricos ou turísticos”.

“Temos a responsabilidade de viver aquilo que celebramos. Não pode ser apenas uma encenação bonita ou um espetáculo. É um ato de fé e uma expressão da nossa confiança em Deus”, defendeu.

O representante diplomático da Santa Sé em Portugal manifestou ter encontrado “na Madeira uma Igreja com uma fé profunda e uma grande capacidade de serviço”.

É uma terra que deu muito à Igreja em Portugal e ao mundo, através de bispos, sacerdotes, religiosos e leigos comprometidos. Mas hoje enfrentamos um desafio muito importante: transmitir a fé às novas gerações, temos que transmitir a fé a experiência de Deus, às novas gerações”, observou.

Aludindo a uma “sociedade em rápida transformação, onde por vezes parece existir uma distância crescente entre gerações”, o núncio realçou que “nem sempre é fácil comunicar com os mais jovens”, mas não se pode “desistir”.

“O essencial é ajudá-los a descobrir Deus e a encontrar sentido para as suas vidas, mesmo que utilizem linguagens e formas diferentes das nossas. Essa é, talvez, uma das grandes missões da Igreja nos nossos dias. E estou muito feliz por poder encontrar aqui comunidades que continuam empenhadas nesse caminho”, partilhou.

D. Andrés Carrascosa Coso mostrou-se “muito feliz com os encontros” que teve na Madeira, onde encontrou “pessoas muito acolhedoras”.

A Madeira deixou-me uma impressão muito positiva: pela fé do seu povo, pela capacidade de serviço e pela colaboração entre Igreja e sociedade em favor das pessoas”, referiu.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o núncio apostólico abordou ainda a renovação da Igreja portuguesa, falando que este não é o momento de nomeações episcopais, afirmando que o antecessor fez muitas nos últimos anos.

Questionado sobre o Algarve, cujo bispo, D. Manuel Quintas, apresentou resignação ao Papa em 2024, poucos dias após ter completado 75 anos de idade, D. Andrés Carrascosa Coso respondeu que “não será amanhã, mas não vai tardar”.

“Estamos a entrar no verão romano, o verão romano é o verão romano, eu morei 14 anos da minha vida em Roma, por isso acho que não vai ser amanhã, mas vai chegar nos próximos meses”, mencionou.

LS/LJ/OC

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