Madeira: Bispo do Funchal afirma que certeza da vivência de uma «fé verdadeira» nasce da comunhão com Pedro

D. Nuno Brás presidiu à Eucaristia na igreja da Ribeira Brava, onde foi lembrado povo da Venezuela

Foto: Duarte Gomes/Jornal da Madeira

Ribeira Brava, Madeira, 30 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal defendeu esta segunda-feira, na igreja da Ribeira Brava, na Madeira, que a certeza de viver uma fé verdadeira, e não apenas uma construção pessoal, nasce da comunhão com Pedro.

“Como é que eu sei que não estou a viver uma fé inventada, que não estou a viver aquilo que imagino, mas estou a viver a fé verdadeira? Unidos a Pedro. Que o mesmo é dizer, unidos ao Papa”, referiu D. Nuno Brás, na homilia da Eucaristia, informa o ‘Jornal da Madeira’.

O bispo presidiu à Missa na solenidade dos dois apóstolos São Pedro e São Paulo, que evoca o martírio dos dois apóstolos do século I, em Roma.

Na homilia, o bispo do Funchal partiu do Evangelho da profissão de fé de Pedro para convidar os presentes a refletirem sobre o verdadeiro significado de serem cristãos.

“Cristão vem de Cristo e, portanto, somos bons ou maus cristãos consoante nós vivemos, ou não, a partir de Cristo, com Cristo”, afirmou, referindo que a vida cristã não pode ser construída apenas a partir de opiniões pessoais, mas da relação com Jesus.

Recordando a pergunta feita por Jesus aos discípulos – “Quem dizem os homens que eu sou?” -, D. Nuno Brás referiu que esta não era uma simples procura de respostas ou opiniões.

“A grande questão que Jesus quer colocar aos seus discípulos é esta: ‘E vocês? Quem é que eu sou para vocês?’”, destacou.

Até esse momento, o bispo explicou que os discípulos tinham apresentado apenas aquilo que ouviam dizer: “Uns dizem que és João Batista, outros que és Elias, outros que és Jeremias, ou algum dos profetas que regressou”.

No entanto, lembrou, Pedro foi mais longe, uma vez que deixou de dizer opiniões, aquilo que acha e que pensa, para dizer aquilo que aprendeu: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo’”.

De acordo com o bispo do Funchal, esta resposta mostra que o apóstolo foi capaz de “se colocar à escuta”, “de ultrapassar aquilo que são as suas opiniões para proclamar, em nome de todos, a fé verdadeira”.

Na homilia, D. Nuno Brás enfatizou que Pedro é aquele que recebe a missão de confirmar os irmãos na fé, porque não anuncia uma opinião própria, mas aquilo que recebeu de Deus.

“Tu és aquele sobre quem vou construir. Porquê? Porque tu não dizes aquilo que são as tuas opiniões, aquilo que tu achas. Dizes aquilo que aprendeste. E vives aquilo que aprendeste”, indicou.

O bispo do Funchal destacou a ligação da Igreja atual à missão confiada por Jesus a Pedro, lembrando que esta comunhão se expressa também através da união ao Papa.

“É nesta Igreja de Pedro que nós vivemos hoje”, afirmou, lembrando que, ao longo dos tempos, surgem muitas opiniões sobre Jesus, sobre a Igreja e sobre o caminho que deve seguir.

D. Nuno Brás realçou que a fé cristã não se apoia simplesmente em pontos de vista, mas numa tradição recebida e transmitida.

Na Eucaristia, que reuniu a comunidade paroquial, autoridades locais, movimentos, confrarias, bombeiros e crianças que receberam recentemente a primeira comunhão, o responsável católico sublinhou ainda que a relevância do Papa não depende de características pessoais, mas da missão que lhe está confiada.

“O Santo Padre é importante porque é unidos a ele que nós vivemos a fé. Não a fé que imaginamos, mas a fé verdadeira que o próprio Deus nos ensina”, disse.

No final da homilia, o bispo convidou a assembleia a agradecer a Deus pela continuidade da missão de Pedro na Igreja.

A celebração concluiu com um apelo à fidelidade e à unidade da comunidade cristã, mantendo também presente a oração pelos povos que atravessam momentos de dor, nomeadamente a Venezuela, que foi atingida a 24 de junho com dois sismos.

No início da Eucaristia, o pároco de Ribeira Brava, padre Bernardino Trindade, lembrou as famílias, os emigrantes e todos os que atravessam momentos de sofrimento, com uma referência especial ao povo deste país sul-americano.

O sacerdote pediu que todos continuassem a rezar por aqueles que vivem situações difíceis, “para que realmente encontrem em São Pedro aquela proteção e aquela ajuda também neste momento”.

Na oração dos fiéis, o povo venezuelano voltou a ser recordado com uma prece pelas vítimas dos terramotos, tendo sido pedido a Deus que lhes conceda “esperança e fé na reconstrução de um país”.

Depois da Eucaristia, seguiu-se a procissão que percorreu as principais artérias da Ribeira Brava.

LJ/OC

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