Carmo Diniz apresenta novo guia, com lista de «ideias e propostas»

Lisboa, 10 fev 2020 (Ecclesia) – A coordenadora do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência do Patriarcado de Lisboa disse que o novo guia ‘Uma Igreja para Todos’, para o acolhimento eclesial, quer sublinhar a necessidade de comunidades mais proativas, neste campo.

“É preciso, dentro da Igreja, que os priores, os agentes pastorais digam claramente: Nós queremos ter todas as pessoas dentro da igreja, queremos que todas as pessoas se aproximem”, referiu Carmo Diniz, em entrevista ao programa ECCLESIA, transmitida hoje na RTP2.

Em entrevista, a coordenadora do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência afirma que o “medo” de aproximação a “uma pessoa diferente” é igual ao medo que essa pessoa tem de “rejeição e de não corresponder às expectativas”.

‘Uma Igreja para Todos’ é o título de um guia destinado ao acolhimento eclesial de pessoas com deficiência, que este serviço pastoral do Patriarcado de Lisboa adaptou para a sua realidade, a partir de um documento da Arquidiocese de Madrid.

“Temos uma lista de práticas que não sendo generalizadas são ideias e propostas”, refere Carmo Diniz sobre o documento publicado em dezembro de 2019, que não é apenas “uma tradução” e tem indicações concretas para os casos de pessoas com deficiência intelectual, com deficiência física, a deficiência visual e as deficiências visuais e auditivas.

A entrevistada explica que o serviço pastoral fez um “questionário simples” aos priores da Diocese de Lisboa, com quatro perguntas, “como vê a comunidade onde está inserido, se existem pessoas com deficiência na sua comunidade”, que tipos de instituições de apoio existem, que “respostas concretas” existe na paróquia.

A coordenadora do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência destaca que tiveram uma resposta de 100% das vigararias (18), 60% a nível das paróquias (285 no total), e “94% dos priores, quase todos, disseram que havia pessoas com deficiência na igreja”.

Família do Bernardo

“Isso permitiu-nos fazer um desenho onde se consideramos que a Igreja está no meio: O que concorre para dentro da Igreja, tanto a nível de acessibilidades para entrar e o que está à saída. Esta saída também remete para a Igreja, apoio em casa, apoio à família, o que acontece depois da Igreja”, desenvolveu, sobre o guia.

Carmo Diniz salientou que se precisa “da diferença, da criatividade”, de encontrar no diferente “novas formas de viver e de ser humanos”, e lembrou que o Papa Francisco, não a propósito da deficiência, disse, recentemente, que procuram “não a uniformização mas a harmonia”.

“A harmonia tem a ver com a diversidade, e a diversidade abre o nosso coração, a nossa cabeça, mostra-nos coisas novas, permite-nos ir mais longe”, observou.

A entrevistada partilhou também a sua realidade familiar que, com cinco filhos, um “é deficiente profundo”, o Bernardo que tem 99% de incapacidade e foi adotado aos 3 anos de idade e é membro desta família há sete anos.

“Diz alguns sons, anda com ajuda, não vê, e tem uma capacidade extraordinariamente, maior do que a minha, para comunicar, é uma característica, um dom que ele tem quando se acerca de todas as pessoas, não se impõe à relação mas quando a outra pessoa permite, o bernardo dá uma grande volta e é uma grande surpresa ver a reação das pessoas”, desenvolveu.

PR/CB/OC

 

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