Participante sugere que percurso formativo se reproduza noutras dioceses
Lisboa, 30 jun 2026 (Ecclesia) – Teresa Nicolau foi uma das participantes da ‘Escola de Acompanhadores’ do Patriarcado de Lisboa, depois de se ter envolvido na Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, movida a apoiar a juventude no aprofundamento da fé.
“Foi identificada essa lacuna, porque muitos dos jovens, sobretudo na altura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e, posteriormente, manifestavam que gostavam de ser acompanhados, mas não havia disponibilidade dos padres e de irmãs”, afirmou, em declarações ao Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2 (15h).
Criada em 2024, a ‘Escola de Acompanhadores’ dedica-se ao acompanhamento de jovens através de um percurso formativo que permita uma educação integral onde se englobam as dimensões bíblico-teológica, humana, espiritual e prática do acompanhamento.
“Houve a ideia de capacitar leigos, pessoas de uma vida muito comum nas paróquias e na igreja, que conseguissem fazer esse apoio”, caso “houvesse essa procura”, explica a entrevistada.
Quando participou na JMJ, Teresa Nicolau era abordada por jovens que pediam a sua atenção, questionavam sobre Deus e expunham desafios que iam enfrentando.
“Comecei a sentir que eu não tinha capacidade para dar essa resposta e tentei instruir-me, tentei ter mais conhecimento e ganhar aqui algumas ferramentas para conseguir fazer esse papel, sobretudo respeitando sempre o caminho que a Igreja queria para nós, não ser uma coisa esporádica, isolada”, salientou.
Sobre o projeto, a participante testemunha que “foi uma enorme surpresa perceber que em tão pouco tempo foi possível desenhar um curso com um plano curricular tão rico e tão bem estruturado”.
O percurso formativo dividiu-se em quatro semestres, onde se trabalharam diferentes dimensões: ‘As raízes do acompanhamento: Iniciação Bíblica e Teológica’, ‘Olhar a pessoa: Desenvolvimento Humano, Psicologia e Mistério’, ‘A vida da Fé: Busca e crescimento espiritual’ e ‘O ministério do acompanhamento’.
“Os oradores, os professores que foram convidados, claramente que são pessoas estruturantes na Igreja hoje em dia em Portugal, portanto também referências muito grandes”, destacou Teresa Nicolau.
O curso incluiu participantes de contextos “completamente diferentes”, desde leigos a consagrados, de diferentes áreas geográficas, assinala.
Teresa Nicolau sugere que a ‘Escola de Acompanhadores’ possa ser replicada noutras dioceses, relatando que uma parte da formação que integrou era presencial e acabou por ser “muito exigente” para quem vinha de outras zonas do país.
Sobre o futuro, a entrevistada revela que a ideia é que é que no próximo ano pastoral se desenvolva algo mais concreto para que os jovens saibam que existe este serviço disponível.
“Quem sabe até, como havia várias pessoas de várias paróquias dentro da Vigararia de Oeiras, implementar algo que seja mais vicarial do que apenas paroquial”, mencionou.
Questionada se nota o apetite dos jovens pelas questões da fé depois da JMJ, Teresa realça que houve muitos que participaram na jornada e que hoje não estão a fazer caminho na Igreja, no entanto, evidencia, nada diz que será assim para sempre.
“Muitos deles após uma determinada fase retomam à Igreja e é sempre bom que a Igreja esteja preparada para lhes dar a resposta de acordo com aquilo que eles pretendem”, referiu.
‘A Escola de Acompanhadores’ é promovida pelo IDFC – Instituto Diocesano da Formação Cristã, o Serviço da Juventude, a Pastoral Universitária e o Setor de Animação Vocacional e é dirigida a pessoas com inserção pastoral na paróquia/movimento, com idade entre os 25 e os 50 anos, sendo aberta a leigos, padres, diáconos, consagrados e consagradas.
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