Carmo Diniz aponta para erradicação da pobreza nos próximos 50, apresenta programa das celebrações, faz percurso pela história da estrutura e realiza balanço do último ano
Lisboa, 27 fev 2026 (Ecclesia) – A diretora executiva da Cáritas Diocesana de Lisboa, Carmo Diniz, apontou hoje a erradicação da pobreza como maior desejo para o organismo nos próximos 50 anos.
“Eu desejava erradicar a pobreza. Isso era o que desejava e acho que é isso que nós queremos. Queremos quase deixar de ser precisos. Queremos mesmo deixar de ser precisos […] O maior desejo é extinguir a Cáritas”, afirmou Carmo Diniz, em declarações à Agência ECCLESIA, a propósito do 50ª aniversário que o organismo celebra este ano.
A responsável admite que, apesar de os relatórios da Estratégia contra a Pobreza indicarem que a situação “melhorou”, a instituição continua a receber muitos pedidos de ajuda.
“Como é que nós aceitamos que um quinto da população em Portugal viva num risco de pobreza extrema? É impensável, não é?”, questionou, receando que os dados apresentados sejam “uma questão de matemática ou de estatística” e “não tanto a realidade das pessoas”.
Criada a 23 de junho de 1976, a Cáritas Diocesana de Lisboa celebra 50 anos de história que, para Carmo Diniz, são marcados pela “liberdade de estar no momento certo e no local certo a ajudar as pessoas que mais precisam”.
O aniversário da Cáritas Diocesana de Lisboa está a ser assinalado com uma série de iniciativas, sendo uma delas o evento “Ponto de Encontro | Caminhos de Integração”, realizado esta quinta-feira no Auditório Nova Medical School (Parede), dedicado ao acolhimento e integração de migrantes.
Carmo Diniz explica que o organismo integra a rede CLAIM (Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes), com oito pontos de atendimento em Cascais e que ajuda no “processo de integração”, e que a Cáritas, em conjunto com outros parceiros, desenvolveu um dossiê sobre as migrações, que visa “esclarecer” sobre o tema para saber como melhor acolher quem chega de fora.
“Nós recebemos muitos pedidos de apoio a migrantes, quer seja para a regularização, quer seja porque têm um tema social, têm uma dificuldade, não têm trabalho, não têm casa, têm fome, seja qual for a dificuldade, metade das pessoas que recebemos são claramente migrantes”, indica.
Outras das iniciativas promovidas no 50º aniversário da Cáritas Diocesana de Lisboa é o Encontro de Lojas Sociais, na próxima segunda-feira, na Dona Ajuda, em Lisboa, das 14h às 17h.
“Uma loja social é uma loja que permite o acesso a bens não alimentares, pode ser roupa ou outros objetos, a preços reduzidos”, elucida Carmo Diniz.
Do programa das celebrações faz também parte a conversão ecológica, outro dos eixos de atuação do organismo, e que vai ser a base de uma iniciativa prevista para a primavera, que terá lugar no Oeste, e a solidão, que no dia 22 de maio vai ser o centro de uma exposição e de uma conversa no Centro de Exposições da Câmara Municipal de Odivelas.
O dia de aniversário da Cáritas Diocesana de Lisboa, a 23 de junho, vai ser celebrado com uma Missa Solene com o Patriarca de Lisboa e será marcado por fados e Carcavelos d’Honra.
Nomeada diretora da Cáritas Diocesana de Lisboa em janeiro de 2025, Carmo Diniz faz o balanço do último ano, sublinhando que tem sido “um desafio mesmo enriquecedor”.
“O que me foi pedido nesta fase da Cáritas foi para reorganizar internamente a Cáritas Diocesana de Lisboa, porque vínhamos de um caminho que tinha várias valências e quando eu cheguei já não havia valências”, lembra.
O trabalho, conta Carmo Diniz, passou por “mudar, não perdendo o bom que já existia”, “já a pensar nos próximos 50 anos”, no “sentido de servir melhor as pessoas que estão em situação de pobreza e exclusão social”.
LJ/PR
