Publicações: Luís Miguel Ferraz investigou «As Aparições de Fátima no jornal O Mensageiro» da Diocese de Leiria

Investigador destaca que «seria de esperar uma publicação apologética, de defesa» do milagre, mas «teve longos períodos de silêncio»

Foto: Santuário de Fátima

Lisboa, 15 jul 2026 (Ecclesia) – Luís Miguel Ferraz escreveu o livro ‘As Aparições de Fátima no jornal O Mensageiro (1917-1927)’, periódico da Diocese de Leiria-Fátima que “teve muitas reservas no início”, e “longos períodos de silêncio entre finais de 1917 e 1922”.

“O propósito inicial da abordagem foi, até em contexto académico, procurar a historicidade do momento, procurar perceber o que aconteceu naquele momento, e naqueles dez anos primeiros do desenvolvimento do que hoje chamamos de santuário. E não uma abordagem apologética, ou uma abordagem de contraditório em relação aos factos”, disse o autor, esta quarta-feira, dia 15 de julho, em entrevista à Agência ECCLESIA.

‘As Aparições de Fátima no jornal O Mensageiro (1917–1927): história e teologia do seu impacto para a revitalização do catolicismo no contexto da I República e da I Guerra Mundial’, é o título do livro que resulta da investigação de mestrado em Teologia, onde Luís Miguel Ferraz procurou “perceber que acontecimentos foram aqueles”, e como é que foram recebidos pelas pessoas da localidade de Fátima, “de todo o país, e até de países à volta”.

O autor explica que o contexto da Guerra Mundial também está na origem da forma como Fátima foi rececionada, o que seria de esperar que acontecesse, e que “é evidente desde o início da abordagem”, a primeira mensagem que surge “é precisamente a de alguém, uma senhora, que vem falar de paz”.

“Isto num contexto de guerra, como é óbvio, responde aos anseios primários das pessoas, responde à grande inquietação que, na época, era vivida pela população, contextos não só de guerra, mas de pobreza, de insuficiência de alimentos, de doenças, de vários tipos de contextos de sofrimento. Uma mensagem que vem falar de paz, que vem falar de penitência, de conversão, e de promessa de acompanhamento por parte da entidade a que chamamos Deus, por parte da transcendência, como é óbvio, vem falar ao coração dos anseios das pessoas”, desenvolveu.

Extinto em 2013, o jornal ‘O Mensageiro’, propriedade da Diocese de Leiria-Fátima, foi fundado pelo padre José Ferreira de Lacerda, em 1914, para lutar pela restauração da Diocese de Leiria extinta “no final do século anterior”, e Luís Miguel Ferraz quis saber como é que “acompanhou o evoluir, não só a notícia inicial das aparições, mas o crescimento das peregrinações, das multidões, do próprio santuário”.

“No meu ponto de vista, antes de ler qualquer coisa, seria de esperar que fosse uma publicação apologética, de defesa, de quase proclamação do milagre automaticamente. Uma das constatações interessantes que começo por ver imediatamente é que não foi assim tão linear, antes, pelo contrário, o jornal teve muitas reservas no início, teve longos períodos de silêncio, por exemplo, entre finais de 1917 e 1922, ‘O Mensageiro’ quase não fala nas aparições”, referiu.

O investigador destaca que o padre José Ferreira de Lacerda, diretor do ‘Mensageiro’, como “jornalista de campo” entrevistou os pastorinhos “poucos dias depois de 13 de outubro de 1917”, mas, a partir daí, “mantém uma reserva e, até meados de 1922, não reage” porque o bispo diocesano, D. José Alves Correia, também não reagia.

“E o bispo, de facto, reage em 1922, quando inicia o processo canónico diocesano. E isso vai dar o alento ao padre Lacerda para dizer que ‘finalmente o nosso bispo está a querer saber o que é que se passou, está a promover uma investigação séria e cuidada sobre o que se passou’. E, portanto, cá está ‘o mensageiro’ a acompanhar o bispo”, acrescentou no Programa ECCLESIA, emitido hoje, na RTP2.

Luís Miguel Ferraz, que, em 2019, integrou a Academia de Estudos Santuário de Fátima onde fazem “investigação permanente sobre todas estas temáticas históricas, teológicas, pastorais, etc”, destacou ainda sobre ‘os impactos que Fátima teve’, no subtítulo do livro lançado a 11.ª edição dos Cursos de Verão do santuário, nas “pessoas, população”, por parte das autoridades republicanas e da autoridade eclesiástica.

O livro ‘As Aparições de Fátima no jornal O Mensageiro (1917–1927): história e teologia do seu impacto para a revitalização do catolicismo no contexto da I República e da I Guerra Mundial’, que materializa mais de uma década de investigação atualizada de Luís Miguel Ferraz, é o quinto volume da coleção ‘História, Cultura e Sociedade’.

PR/CB/OC

 

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